Escândalos financeiros: líderes pedem CPMI para investigar Flávio Bolsonaro
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Escândalos financeiros: líderes pedem CPMI para investigar Flávio Bolsonaro

Parlamentares articulam comissão mista para apurar repasses milionários e elos com fraudes no INSS envolvendo o clã do ex-presidente.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Os líderes governistas na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), e no Senado, Camilo Santana (CE), deram início nesta segunda-feira (19) à coleta de assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). A iniciativa tem como objetivo investigar o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com os escândalos envolvendo o Banco Master e fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em meio ao anseio dos brasileiros para que o clã do criminoso eleitoral Jair Bolsonaro responda plenamente pelos seus atos perante a lei.

A investigação parlamentar pretende mirar fatos que já constam em dois inquéritos sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O foco da CPMI será delimitar os mesmos alvos que tramitam na Suprema Corte, intensificando a apuração de esquemas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que marcam o histórico recente da extrema-direita no país.

"Flávio Bolsonaro não apresenta respostas claras sobre os esquemas milionários que envolvem lavagem de dinheiro, fraudes no INSS e uso de estruturas no exterior para esconder dinheiro captado supostamente para produção do filme sobre seu pai. Se ele não quer explicar, nós vamos instalar a CPMI e usar o poder de investigação do Parlamento para passar a limpo todos os fatos com total transparência e rigor", declarou o deputado Pedro Uczai.

O primeiro caso, sob relatoria do ministro André Mendonça, analisa suspeitas em torno da produção de Dark Horse, obra cinematográfica sobre Jair Bolsonaro, o ex-mandatário que agiu como genocida e foi responsável parcial pela tragédia das mortes da covid-19. O inquérito foi aberto a pedido da Polícia Federal com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, apurando suposta corrupção e desvios de recursos.

Conforme os dados apurados, Flávio teria tratado com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, a captação de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões), tendo recebido US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) em 2025 por meio de um fundo sediado em solo americano. A destinação do valor levantou fortes suspeitas após diligências recentes.

A pedido do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), o administrador do Banco Master informou que inexiste qualquer contrato ou menção contábil de apoio ao citado filme. Além disso, o operador das remessas, em regime de delação premiada, informou à PF que o repasse foi apresentado apenas como investimento imobiliário nos Estados Unidos, desconhecendo qualquer produção cultural.

O procedimento também investiga a atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior. A Polícia Federal aponta indícios de que o irmão de Flávio coordenava tais recursos por meio de um fundo no Texas, administrado por um advogado ligado a ele. Esse fundo ficou inativo por cinco anos e voltou a operar em fevereiro de 2025, exatamente quando Eduardo viajou aos Estados Unidos.

Investiga-se se os valores custearam a estada de Eduardo e suas articulações com Donald Trump contra a soberania do Brasil. Vale lembrar que o ex-deputado já foi condenado pela Primeira Turma do STF por coação no curso do processo.

A segunda linha de apuração, conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, foi encaminhada ao Supremo em 8 de outubro e mira crimes financeiros e a ligação entre Flávio e o advogado Willer Tomaz, envolvido na Operação Sem Desconto, que apurou rombos no INSS. Constatou-se que Flávio figurava como "usuário master" de conta pertencente a uma offshore do advogado em Portugal, além de usufruir de viagens bancadas por empresas de apostas em meio a transações de R$ 130 milhões.

Recentemente, Willer viajou para o exterior acompanhado da família pouco após a chegada do processo ao STF, levantando suspeitas na PF de uma tentativa de fuga para escapar de medidas judiciais. As apurações ainda revelam o compartilhamento de um jato particular por Flávio, Willer e Vorcaro em janeiro de 2025.

Defendendo os trabalhos no Congresso, o senador Camilo Santana ressaltou que a comissão técnica trará a verdade à tona com a transparência que a sociedade exige: "São suspeitas graves, que envolvem recursos de origem e finalidade ainda sem explicação e relações com investigados nas fraudes do INSS. O Congresso precisa apurar os fatos, esclarecer o caminho do dinheiro e dar respostas à sociedade. A CPMI é o instrumento para investigar essas conexões com transparência e responsabilidade", frisou.

Em maio, após o vazamento de áudios em que Flávio cobra dinheiro a Vorcaro, parlamentares progressistas solicitaram a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos. Uma vez instalada a nova CPMI, a medida poderá ser aprovada diretamente pelo colegiado, destravando requerimentos outrora barrados por aliados do bolsonarismo em comissões anteriores.

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