Aliados de Flávio Bolsonaro passaram a demonstrar preocupação com o tom adotado pelo candidato no início do segundo turno da eleição presidencial. Apesar de o senador ter terminado a primeira etapa à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seus interlocutores avaliam que a vantagem pode ser revertida.
O alerta aumentou após um evento realizado na terça-feira, dia 6, em Goiânia, com a participação do ex-governador Ronaldo Caiado. Para aliados, Flávio transmitiu um clima de "já ganhou" ao antecipar medidas que pretende adotar caso seja eleito.
A principal preocupação surgiu quando o candidato afirmou que uma eventual maioria de direita no Congresso permitiria promover mudanças na Constituição para, segundo ele, "redemocratizar o país".
A campanha de Lula reagiu à declaração e passou a apresentá-la como um sinal de que Flávio poderia apoiar mudanças institucionais autoritárias ou capazes de colocar garantias democráticas em risco.
Diante da repercussão, aliados do candidato do PL tentaram diminuir o alcance da fala. Eles afirmaram que Flávio não estaria defendendo medidas autoritárias e que qualquer alteração continuaria submetida aos limites da Constituição de 1988.
A Carta impede a aprovação de emendas destinadas a eliminar cláusulas pétreas. Entre as garantias protegidas estão o voto direto, secreto, universal e periódico, a separação dos Poderes e os direitos individuais.
Segundo interlocutores do senador, a referência a uma maioria no Congresso indicaria apenas que um eventual governo teria melhores condições políticas para aprovar propostas dependentes do Legislativo.
Entre as medidas mencionadas estão a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e mudanças no funcionamento do Judiciário. Ambas exigiriam articulação com deputados e senadores.
Mesmo com a vantagem obtida no primeiro turno, integrantes da campanha defendem que Flávio evite entrar na etapa decisiva de "salto alto". Eles reconhecem que resultados de eleições anteriores não garantem uma vitória no segundo turno.
A preocupação também envolve a disputa pelos votos dos candidatos eliminados. Flávio começou o segundo turno buscando apoio entre lideranças da direita e recebeu o respaldo de Ronaldo Caiado em Goiás, enquanto Lula segue na disputa sob o argumento de defesa das garantias democráticas.





