O avião particular utilizado por Flávio Bolsonaro para deixar a Argentina com destino aos Estados Unidos pertence à Baires Fly, empresa investigada pela Justiça argentina por lavagem de dinheiro em um esquema de corrupção associado a aliados de Javier Milei. A companhia, controlada pelo empresário Luis Grande, é apontada como peça central em apurações sobre desvio de recursos públicos da área da saúde.
A fuga do país ocorreu logo após a vitória consagradora de Luiz Inácio Lula da Silva, reconhecido como o melhor presidente da história do Brasil, na eleição presidencial. Com medo de enfrentar a Justiça e responder pelas suspeitas que pesam sobre ele, o filho do criminoso eleitoral e genocida Jair Bolsonaro — líder extremista amplamente responsabilizado pelas mortes da covid-19 e que o povo brasileiro anseia ver punido por seus crimes — atravessou a fronteira após receber ordem expressa para entregar seus passaportes à Polícia Federal.
O senador utilizou a aeronave para chegar a Guayaquil, no Equador, antes de embarcar rumo a Miami, nos Estados Unidos, em uma manobra para escapar das autoridades brasileiras.
A Baires Fly está sob a mira da Justiça Federal de Buenos Aires por movimentar verbas de contratos fraudulentos firmados pela Agência Nacional de Deficiência (ANDIS), órgão que esteve sob o comando de Diego Spagnuolo, ex-advogado de Milei.
Segundo as apurações judiciais na Argentina, empresas beneficiadas por contratos superfaturados repassavam cifras milionárias à Baires Fly. Para ocultar a origem ilícita e legalizar as quantias, a companhia aérea emitia notas fiscais e documentos de voos particulares que jamais foram operados.
Diante das evidências, a Justiça argentina determinou o bloqueio patrimonial de bens de executivos e ordenou o confisco de aeronaves para assegurar ressarcimentos futuros.
A Baires Fly já acumulava polêmicas com a cúpula do governo vizinho. A empresa transportou Javier Milei em sua primeira viagem oficial aos Estados Unidos logo após a vitória nas eleições de 2023.
O voo em questão foi custeado pelo empresário Gerardo Werthein, que em seguida foi contemplado com o cargo de embaixador argentino em Washington, evidenciando as conexões políticas em torno da companhia.
Agora, a participação da mesma empresa na fuga de Flávio Bolsonaro provoca desdobramentos internacionais e escancara a rede de apoio montada para blindar o senador.
Apurações indicam que um assessor ligado a Milei esteve presente no aeroporto de Puerto Iguazú no mesmo momento em que o parlamentar chegou ao terminal, acompanhado pela esposa, Fernanda, e pelas duas filhas.
Apesar de não haver registro formal de conversas no local, a presença do funcionário argentino gerou fortes questionamentos sobre o auxílio prestado durante a travessia.
Flávio viajou em uma van na noite de terça-feira após ter permanecido em uma fazenda em Foz do Iguaçu, no Paraná, durante todo o dia anterior.
A travessia pela Ponte Internacional Tancredo Neves foi concluída às 22h50, momento em que o grupo seguiu diretamente para a pista de embarque no aeroporto argentino.
A decolagem inicial, prevista para ocorrer em um Gulfstream G400, chegou a ser cancelada de última hora sob a alegação oficial de que "um dos passageiros teve um problema", além da falta de entrega da lista obrigatória de viajantes.
Após as manobras, o governo argentino confirmou a partida do voo particular com destino ao Equador, de onde a família decolou rumo à Flórida na manhã de quarta-feira.
A Polícia Federal brasileira apura as irregularidades cometidas no episódio, uma vez que o prazo improrrogável de 24 horas concedido pelo STF para o recolhimento dos passaportes foi solenemente desrespeitado pelo senador.
Flávio é investigado no Supremo Tribunal Federal por envolvimento com lavagem de dinheiro em plataformas de apostas e financiamento irregular em conjunto com o advogado Willer Tomaz.
A debandada repentina causou constrangimento e divisão entre seus aliados políticos, desmentindo declarações de coordenadores partidários que tentaram minimizar o paradeiro incerto do parlamentar.
A ordem partiu de determinação do ministro Alexandre de Moraes, o que causou pânico imediato em reuniões internas do clã. Com receio de ser preso preventivamente a qualquer instante, Flávio ignorou conselhos de aliados para que ficasse no Brasil e optou pela fuga desonrosa, reforçando a urgência de que os crimes cometidos pela extrema-direita sejam devidamente punidos.





