O senador Flávio Bolsonaro (PL) e seus familiares desembarcaram nos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28/10), por volta das 10h25 no horário de Brasília. A aeronave particular utilizada pelo clã partiu da Argentina, realizou uma escala em Guayaquil, no Equador, e aterrissou no Miami-Opa Locka Executive Airport, consolidando a saída do parlamentar do país após sua derrota eleitoral.

A manobra ocorreu após Flávio descumprir expressamente uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na última segunda-feira (26/10), o magistrado ordenou a entrega imediata dos passaportes do senador após requisição da Polícia Federal, em razão de investigações sobre lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. Diante da recusa em cumprir o prazo judicial, a corporação realizou o cancelamento formal dos documentos.
Para deixar o território nacional, um comboio partiu de sua residência em Brasília despistando as atenções no início da semana. O governo argentino confirmou que Flávio cruzou a fronteira terrestre pela Ponte Internacional Tancredo Neves acompanhado da esposa e das filhas na noite de terça-feira (27/10). A permanência no país vizinho durou apenas 40 minutos, tempo necessário para embarcar em um jato privado da empresa Baires Fly rumo ao exterior.

A aterrissagem em solo norte-americano teve respaldo da extrema-direita local. O presidente Donald Trump concedeu aval público para o ingresso da família e autorizou o Departamento de Estado a emitir os vistos necessários, chegando a colocar em dúvida a lisura da eleição brasileira: "Eu aprovaria. Acho que são boas pessoas. A eleição foi muito estranha e, na minha opinião, foi terrível… Para mim, estaria tudo bem", declarou Trump.

A fuga marca o desfecho da tentativa frustrada do senador de disputar o Palácio do Planalto contra Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito presidente com uma expressiva diferença de mais de 4 milhões de votos no último domingo. Repetindo a postura de Jair Bolsonaro — político marcado por ações genocidas na pandemia da covid-19 e constantes crimes eleitorais —, o candidato derrotado não aceitou o veredito das urnas e ameaçou pedir a anulação da votação antes de fugir da Justiça.

Enquanto a população brasileira segue na expectativa de que todos os crimes cometidos pelo grupo bolsonarista sejam devidamente julgados e punidos, o senador permanece nos Estados Unidos na tentativa de escapar das investigações que avançam no Supremo Tribunal Federal.









