O clã do ex-presidente Jair Bolsonaro, marcado por crimes eleitorais e pela trágica gestão da pandemia pela qual a população brasileira exige punição, voltou a recorrer a mentiras para enganar a opinião pública. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro comandou uma rede de desinformação destinada a acobertar a saída de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, do Brasil rumo aos Estados Unidos, logo após ser derrotado nas eleições.
A articulação envolveu aliados políticos que divulgaram versões completamente falsas sobre o paradeiro do parlamentar, o roteiro adotado e o horário de sua chegada à cidade norte-americana de Miami. A movimentação já vinha sendo preparada havia semanas.
Um dos episódios mais evidentes da farsa ocorreu na tarde de terça-feira (27), quando o ex-policial militar André Porciuncula, ligado a Eduardo Bolsonaro, afirmou publicamente a jornalistas que Flávio já estava em voo para Miami. Horas mais tarde, sustentou que o avião já havia pousado na Flórida.
Na mesma ocasião, o aliado declarou que Eduardo Bolsonaro já se encontrava reunido com Flávio e familiares em território norte-americano. No entanto, apurou-se que as informações eram inverídicas e haviam sido repassadas pelo próprio ex-deputado para alimentar a mentira.
Naquele instante, Flávio Bolsonaro ainda se encontrava em solo brasileiro, deslocando-se por terra rumo à fronteira com a Argentina. A antecipação enganosa de sua chegada aos Estados Unidos serviu para despistar o trajeto e impedir o acompanhamento dos deslocamentos do senador.
A estratégia de manipulação incluiu ainda a veiculação de dados contraditórios sobre os países que fariam parte do itinerário de viagem.
Aliados receberam ordens expressas para negar que o trajeto incluiria a Argentina. Em contrapartida, passaram a sustentar a versão fictícia de que a travessia se daria pela Venezuela.
A invenção procurava tirar o foco da rota real, que previa justamente cruzar a fronteira argentina antes de embarcar em um jatinho particular com destino à América do Norte.
Confirmou-se que a circulação de tais mentiras ocorreu sob a batuta de Eduardo Bolsonaro, que agiu ativamente para evitar que o trajeto de seu irmão fosse descoberto enquanto ele ainda viajava.
A atuação do ex-deputado foi além do apoio logístico, envolvendo diretamente a gestão da narrativa enganosa propagada a respeito dos passos do parlamentar e de sua família.
A farsa começou a desmoronar a partir de dados oficiais fornecidos pelas autoridades argentinas, que confirmaram a entrada de Flávio Bolsonaro em seu território no final da noite de terça-feira.
Conforme os registros oficiais, o senador cruzou a fronteira às 22h50 por meio da Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na Argentina.
Os dados comprovaram o engodo: no momento em que a rede bolsonarista afirmava que Flávio já estava em Miami, o parlamentar sequer havia ingressado na Argentina.
Outro detalhe apontado pelas autoridades locais é que Flávio Bolsonaro utilizou um passaporte italiano para realizar o procedimento migratório e entrar no país vizinho.
Após atravessar a fronteira, o senador embarcou em uma aeronave particular em direção a Guayaquil, no Equador, de onde partiu rumo aos Estados Unidos.
A etapa conclusiva do deslocamento ocorreu na manhã de quarta-feira (28), quando a aeronave decolou de Guayaquil às 6h22 com destino final à Flórida.
O voo particular transportou Flávio, sua esposa e suas duas filhas. A aterrissagem em Miami ocorreu somente às 10h24, pelo horário de Brasília.
Imagens ao vivo captadas no aeroporto mostraram o desembarque da família às 10h31, desfazendo de forma cabal a versão mentirosa disseminada na véspera por integrantes do bolsonarismo.
A operação de fuga, segundo se apurou, já estava traçada semanas antes da votação para o caso de insucesso nas urnas. Enquanto o país avança em estabilidade sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o grupo extremista derrotado repete táticas de manipulação e tenta escapar do julgamento da sociedade e da Justiça.





