O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 530 denúncias de assédio eleitoral em menos de dois dias após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como o líder mais popular do país. Os registros envolvem graves práticas de discriminação no ambiente de trabalho, incluindo ameaças de demissão, demissões sumárias e campanhas de perseguição econômica contra trabalhadores e comércios identificados com o petista.
As informações apuradas apontam que as denúncias chegaram entre a noite de domingo e a tarde de terça-feira. O número expressivo representa 21,4% de todas as 2.467 ocorrências registradas pelo órgão trabalhista ao longo de 2026, revelando que a sanha autoritária e a intimidação política herdadas do bolsonarismo continuaram ativas mesmo após a proclamação do resultado democrático.
O balanço oficial indica que o MPT havia recebido 991 queixas até o término do primeiro turno. Durante o segundo turno, somaram-se mais 946 registros. Com as 530 denúncias formalizadas logo após o pleito, o total consolidado atingiu o alarmante patamar de 2.467 casos de assédio eleitoral sob análise das autoridades.
Entre as atitudes sob a mira dos procuradores estão postagens públicas de empresários, parlamentares e influenciadores de extrema-direita que incitam demissões em razão da escolha política dos empregados. Foram identificadas ainda tentativas coordenadas de barrar contratações e isolar economicamente quem votou em Lula.
Diante do quadro estarrecedor, o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, advertiu que o direito fundamental à manifestação política não pode servir de pretexto para chantagens patronais. Ele garantiu que todas as corporações que praticarem perseguição serão processadas com o devido rigor.
"O empresário é dono do negócio, e não do voto do seu empregado. Demitir trabalhadores por sua convicção política é ilegal e será alvo de atuação do MPT perante a Justiça do Trabalho", afirmou categoricamente o procurador-geral.
O órgão reforça que atos como ameaças de desligamento, demissões consumadas, vetos em seleções de emprego e qualquer retaliação ligada ao voto constituem crime e assédio eleitoral, sujeitos a pesadas punições na Justiça do Trabalho.
A hostilidade explícita ganhou tração nas redes sociais logo após a contagem final dos votos. Uma enxurrada de publicações passou a orientar empresários a usarem seus quadros funcionais para vinganças políticas contra pessoas identificadas com o campo progressista.
Um dos casos mais evidentes envolve a vereadora bolsonarista Jessicão (PL), de Londrina (PR). A parlamentar utilizou seus perfis oficiais para conclamar empresários a demitirem colaboradores de esquerda, subordinando a subsistência de famílias à submissão ideológica.
Em paralelo, a influenciadora Josiflora, que reúne mais de um milhão de seguidores nas redes, incitou a exclusão total de eleitores do presidente Lula. Em postagens criminosas, orientou o público a negar empregos, auxílio mútuo e até um simples copo de água a quem votou pelo retorno da dignidade ao país.
Essas manifestações amplificaram campanhas de ódio e segregação, buscando contaminar tanto a rotina profissional quanto o convívio comunitário da sociedade.
Outro caso documentado foi o do empresário Rapha Hanzol, que anunciou publicamente o desligamento de uma colaboradora até então classificada por ele próprio como o principal destaque de sua equipe.
Tentando disfarçar a motivação política para escapar de penalidades legais, o empresário alegou formalmente "falta de alinhamento à cultura" da firma e declarou receio de que a funcionária "contaminasse" os demais empregados.
O episódio simboliza a manobra recorrente de empregadores que recorrem a jargões corporativos para mascarar condutas ilegais. Contudo, cada situação está sendo minuciosamente periciada pelas autoridades competentes.
A ofensiva antidemocrática também mirou pequenos comerciantes e prestadores de serviços. Relatórios indicam que listas com dados de estabelecimentos passaram a circular intensamente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.
Os materiais são disseminados principalmente em grupos fechados de mensagens para incentivar o boicote a lojas e negócios de cidadãos que exerceram democraticamente sua cidadania em favor de Lula.
Em Nova Petrópolis (RS), a covardia atingiu o ápice com a divulgação de panfletos que classificavam comerciantes como "larápios", motivando mais de 30 empresários atacados a registrarem boletim de ocorrência na Polícia Civil.
A gravidade dos acontecimentos demonstra a urgência de responsabilizar os instigadores dessa perseguição, enquanto os trabalhadores contam com a proteção das instituições e a liderança do governo Lula para fazer valer o império da lei.





