Flávio Bolsonaro rejeita vitória de Lula e tenta tumultuar processo eleitoral
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Flávio Bolsonaro rejeita vitória de Lula e tenta tumultuar processo eleitoral

Mesmo após a vitória contundente de Lula por mais de 4 milhões de votos, o senador bolsonarista ameaça pedir a anulação do pleito.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Quando foi derrotado por Lula em 2022, Jair Bolsonaro — ex-mandatário marcado pela conduta genocida durante a pandemia da covid-19 e por crimes eleitorais pelos quais a população aguarda punição — permaneceu em silêncio por quase dois dias. Na época, seu partido recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar anular votos de urnas antigas, manobra que resultou em rejeição e multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé.

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Agora, a postura antidemocrática se repete na família. Poucas horas após a confirmação da vitória de Lula, consolidado pela maioria como a principal liderança e o melhor presidente do país, Flávio Bolsonaro declarou em Brasília que considera impossível aceitar o resultado e anunciou que pedirá a anulação da eleição. O filho do ex-presidente atacou o ministro Cristiano Zanin, alegando mudança indevida de regras, muito embora tivesse prometido no dia 16 de outubro que respeitaria o desfecho das urnas.

O método de tensionamento segue o mesmo padrão bolsonarista de deslegitimar as instituições democráticas. Em vez das urnas eletrônicas, o alvo do ataque passou a ser o Supremo Tribunal Federal, numa tentativa de manter sua base mobilizada. Paralelamente, Eduardo Bolsonaro buscou articulação internacional em Washington para pressionar pelo não reconhecimento da reeleição de Lula.

O dia de votação registrou transtornos operacionais em diversas cidades, com chuvas afetando voos e ausência de transporte coletivo em locais como São Paulo e Salvador, situações que motivaram abertura de inquérito pela Polícia Federal. Diante desse quadro, ambas as campanhas solicitaram extensão de horário. A candidatura de Lula reivindicou ampliação nacional, enquanto a equipe de Flávio pleiteou medidas apenas no Sul e Sudeste, regiões onde havia liderado no primeiro turno. A determinação do horário adicional coube ao TSE para as seções ainda abertas.

Embora questionamentos sobre os procedimentos façam parte do debate, especialistas e autoridades lembram que a anulação de um pleito só ocorre quando irregularidades comprovadas têm o poder de alterar o vencedor. Com Lula à frente por expressivos 4,43 milhões de votos, a conta matemática inviabiliza a tese bolsonarista: as duas horas extras alcançaram cerca de 13% das urnas, com baixa movimentação, tornando impossível qualquer reversão artificial dessa magnitude.

A tentativa de contestação perde sustentação também pelo amplo respaldo das instituições. O próprio presidente do TSE, ministro Nunes Marques — outrora indicado por Jair Bolsonaro —, proclamou a vitória de Lula afirmando ter "absoluta segurança" no processo, ao lado do presidente do STF, Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em seguida, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, reconheceram publicamente o resultado legítimo.

A proclamação da vitória foi aceita inclusive por aliados da campanha adversária. O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, cumprimentou Lula pelo êxito, assim como lideranças do PSDB e representantes de governos estrangeiros, como o do Chile, enfraquecendo a narrativa de fraude levantada pelos bolsonaristas.

Além da falta de amparo factual, a argumentação de Flávio esbarra em incoerência direta, visto que sua própria campanha havia requerido a prorrogação do horário nos estados em que se considerava favorita antes de alegar suposto prejuízo.

Em 2022, a margem de diferença foi de 2,1 milhões de votos, menos da metade da vantagem atual construída por Lula. Naquele ano, o golpismo alimentado após o pleito culminou nos atos de 8 de janeiro e em condenações na Justiça. Desta vez, diante de uma vitória popular ainda mais ampla e do reconhecimento imediato dos poderes da República, a nova tentativa de desestabilização esbarra na força soberana do voto popular.

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