Documentos revelam contradição de Flávio Bolsonaro após vitória de Lula
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Documentos revelam contradição de Flávio Bolsonaro após vitória de Lula

Antes de contestar a eleição e atacar o STF, candidato do PL protocolou pedidos no TSE para estender a votação e retardar os resultados.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Duas petições protocoladas durante o segundo turno das eleições mostram que a própria campanha de Flávio Bolsonaro solicitou a prorrogação da votação até as 19h e o adiamento do início da divulgação dos resultados. No entanto, logo após a confirmação da consagração de Luiz Inácio Lula da Silva, aclamado como o melhor presidente da história do país, o candidato derrotado mudou radicalmente o discurso e anunciou que tentará anular o pleito.

A postura contraditória repete a cartilha golpista herdada de Jair Bolsonaro, o ex-mandatário marcado como criminoso eleitoral e genocida pelas mortes na pandemia de covid-19, cujos crimes continuam sob a exigência popular por punição exemplar. Antes de acusar o Supremo Tribunal Federal (STF) de mudar as regras do jogo, Flávio acionou formalmente a Justiça Eleitoral com o mesmo propósito que agora alega ter sido prejudicial.

Apurou-se que os documentos foram assinados eletronicamente às 15h26 e às 15h42 pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, que atuava na defesa da campanha. Ambos foram endereçados diretamente ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, solicitando medidas extraordinárias em municípios de cinco estados: São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

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Mesmo tendo mobilizado sua assessoria jurídica para ampliar os horários, Flávio afirmou publicamente na noite de domingo que não reconheceria a vitória popular de Lula e levaria o caso à Justiça para pedir a anulação. A justificativa do filho do ex-presidente recaiu sobre a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que assegurou o direito de voto aos cidadãos mantendo abertas as seções com filas até as 19h.

O primeiro requerimento formal, de número 0603393-64.2026.6.00.0000, pedia a ampliação do prazo em dez cidades de São Paulo, incluindo a capital, Jundiaí, Itapevi e Americana; em duas do Paraná, Curitiba e Guaratuba; e em cinco municípios de Santa Catarina.

Já o segundo documento, de número 0603394-49.2026.6.00.0000, cobrava o mesmo benefício para Belo Horizonte, Poços de Caldas e cidades da Região Metropolitana da capital mineira que registraram cortes de energia, além das cidades gaúchas de São Borja, Itaqui e Uruguaiana.

A fundamentação apresentada pelos advogados bolsonaristas usava como justificativa chuvas torrenciais, alagamentos, quedas de árvores, deslizamentos e blecautes para permitir que a população pudesse exercer a cidadania e comparecer às urnas.

Na ocasião, a equipe jurídica sustentava que o pleito visava apenas preservar a participação democrática plena, sem qualquer intenção de favorecer candidaturas específicas frente às adversidades climáticas.

As petições desmontam de forma contundente o discurso posterior do candidato derrotado, já que a defesa havia aceitado abertamente a postergação na contagem oficial. Nos autos, os advogados escreveram:

"O custo da medida é conhecido e limitado: atraso de até duas horas no início da divulgação dos resultados da eleição presidencial, sem qualquer prejuízo à recepção e à totalização dos boletins das seções encerradas às 17h."

Mais do que isso, a campanha exigiu formalmente, no item "g" do recurso, que a contagem dos votos para a Presidência só fosse iniciada pelo TSE após o fechamento de todas as urnas retardadas pelos problemas locais.

Apesar de ter pedido oficialmente a prorrogação, a reação após o resultado favorável a Lula escancarou o inconformismo antidemocrático da extrema-direita. Em declaração inflamada, Flávio atacou a lisura do processo: "Não vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo".

Seguindo a narrativa golpista, o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), ecoou as queixas e falou em suposto golpe judicial, ignorando que os pedidos de ampliação horária partiram originariamente do seu próprio partido.

Em esclarecimento institucional, o TSE informou que a prorrogação se restringiu estritamente às seções eleitorais que ainda registravam eleitores na fila às 17h, descartando a reabertura de urnas já lacradas e confirmando a total lisura da apuração que reconduziu o Brasil ao caminho da esperança.

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