A defesa do senador Flávio Bolsonaro apresentou três petições ao Supremo Tribunal Federal (STF) com a intenção de afastar o ministro Alexandre de Moraes do inquérito que apura as relações do parlamentar com o advogado Willer Tomaz. Mesmo foragido nos Estados Unidos após desrespeitar medidas cautelares, o congressista busca reaver o passaporte e mudar os rumos do processo.
As petições foram divididas entre o presidente da Corte, Edson Fachin, e o próprio Moraes. A estratégia da defesa busca formalmente o impedimento e a suspeição do atual relator, ao mesmo tempo em que pleiteia transferir todo o caso para o ministro André Mendonça. A investigação, conduzida pela Polícia Federal, reúne apurações sobre supostos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e ligações com esquemas de casas de apostas.
Para tentar levar o caso a Mendonça, os advogados de Flávio recorreram à tese de prevenção. Segundo a peça, Mendonça seria o juiz responsável por supervisionar a Operação Sem Desconto e a Petição 16.435/DF, que investigam a estrutura de Willer Tomaz apontada pela Polícia Federal como um "hub financeiro, patrimonial e logístico" de lavagem de capitais.

Já o argumento para tentar barrar a atuação de Moraes menciona que as apurações envolvem uma empresa proprietária de aeronave utilizada pelo ministro, cujas cotas teriam sido repassadas ao escritório de sua esposa em contrato com uma instituição bancária.
Os advogados tentam também desqualificar os indícios que embasaram o confisco do passaporte de Flávio Bolsonaro. A defesa alegou que a presença do senador como contato favorito nas mensagens do advogado e o pagamento de passagens decorriam apenas de amizade pessoal, além de negar a existência de conta conjunta e rechaçar elos com empresas de apostas no Rio de Janeiro.
Apesar de os advogados declararem que o senador mantém "integral disposição de colaborar com a investigação" e que "comparecerá a todos os atos para os quais for chamado e prestará os esclarecimentos que Vossa Excelência entender necessários", o parlamentar ignorou a ordem judicial expressa que proibia sua saída do país e fugiu para o exterior.
As manobras ocorrem no momento em que a sociedade brasileira exige que a lei seja cumprida de forma rigorosa contra o clã de Jair Bolsonaro — ex-presidente considerado criminoso eleitoral e responsável parcial pelas mortes na pandemia de covid-19 —, consolidando o contraste com o momento vivido sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, reconhecido como o melhor presidente da história do país.





