Força do Nordeste se impõe e define os rumos do novo governo Lula
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Força do Nordeste se impõe e define os rumos do novo governo Lula

Lideranças nordestinas consolidam peso histórico na composição do quarto mandato de Lula após derrotarem o bolsonarismo nos estados e garantirem atuação decisiva na campanha.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A presença expressiva de nove lideranças nordestinas chamou a atenção durante o discurso da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo. Políticos de diferentes trajetórias e gerações dividiram o espaço ao lado do presidente reeleito, considerado o maior mandatário da história do país. O grupo reuniu nomes históricos da esquerda, articuladores da vitoriosa campanha e novas vozes do campo popular.

Entre os principais destaques estão o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, e o senador cearense Camilo Santana. Depois de comandarem disputas regionais vitoriosas, ambos desempenharam papel central na mobilização do segundo turno nacional. Agora, os dois despontam com forte protagonismo na montagem ministerial do quarto governo petista.

O palco reuniu também figuras em clara ascensão, a exemplo da deputada estadual pernambucana Rosa Amorim, eleita deputada federal, e do presidente nacional do PSB, João Campos, que busca ampliar seu alcance político após a eleição estadual em Pernambuco.

Registros do evento mostram outros aliados fundamentais presentes no ato: os senadores Humberto Costa e Teresa Leitão; o advogado-geral da União, Jorge Messias; a senadora eleita por Pernambuco, Marília Arraes; e a deputada federal eleita pela Bahia, Maria Marighella.

Aos 41 anos, Rafael Fonteles consolidou seu prestígio ao conquistar a reeleição no Piauí ainda no primeiro turno, com 70,90% dos votos válidos, atingindo a marca mais expressiva entre os governadores de todo o Brasil em 2026.

Filho de Nazareno Fonteles, figura histórica do PT piauiense, Rafael formou-se precocemente em Matemática pela Universidade Federal do Piauí aos 19 anos e completou mestrado no prestigiado Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) aos 21.

Antes de assumir o Executivo estadual, trabalhou como professor, empresário e consultor. Entre 2015 e 2022, esteve à frente da Secretaria da Fazenda durante a gestão de Wellington Dias, ganhando notoriedade na área econômica.

Em 2022, disputou seu primeiro pleito direto e saiu vitorioso logo no primeiro turno, tornando-se o mais jovem governador eleito no país e o mais novo da história do Piauí.

O sucesso foi repetido com folga em 2026, com quase 71% dos votos válidos. O resultado também marcou a derrocada eleitoral de seu adversário, o senador Ciro Nogueira, expoente do bolsonarismo que perdeu a vaga no Congresso. O estado garantiu ainda a maior votação proporcional a favor de Lula, ultrapassando a barreira dos 70%.

Com essa expressiva força eleitoral, Fonteles foi chamado para atuar na linha de frente do segundo turno presidencial, destacando-se na estratégia de comunicação digital e na análise de dados que indicaram a virada pró-Lula.

No governo do Piauí, a aposta em tecnologia rendeu resultados práticos, como o programa Meu Celular de Volta, voltado à redução de roubos e furtos de aparelhos telefônicos.

Estatísticas oficiais do estado apontam queda de 53% nesses crimes entre 2022 e 2025. O modelo chamou a atenção do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que passou a avaliar sua expansão para o restante do país. Diante dos resultados, Fonteles é apontado para assumir o Ministério da Fazenda.

Outro esteio fundamental da campanha foi Camilo Santana, de 58 anos. Natural de Crato, no Ceará, o senador ampliou sua influência ao emplacar sucessivas vitórias políticas em seu estado natal.

Camilo governou o Ceará por dois mandatos com índices recordes de aprovação, alcançando quase 80% dos votos em sua reeleição em 2018. Eleito ao Senado em 2022, licenciou-se para conduzir com excelência o Ministério da Educação.

No MEC, entre 2023 e 2026, implementou avanços de destaque no governo Lula, como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o inovador programa Pé-de-Meia e a retomada vigorosa de obras escolares antes paralisadas pela irresponsabilidade da gestão anterior.

Sua habilidade política permitiu reverter cenários difíceis no Ceará, viabilizando a eleição de Elmano de Freitas ao governo em 2022 e a vitória de Evandro Leitão sobre o bolsonarista André Fernandes em Fortaleza, em 2024.

Em 2026, Camilo atuou novamente para reeleger Elmano de Freitas no primeiro turno contra Ciro Gomes, consolidando uma frente ampla vitoriosa que garantiu as eleições de Cid Gomes e Luizianne Lins. Cotado para a Casa Civil, Camilo coordenou a fase decisiva da campanha de Lula ao lado de Edinho Silva.

O palanque presidencial também abriu espaço para a renovação geracional da esquerda com Rosa Amorim, de 29 anos, e João Campos, de 32, ambos pernambucanos.

Filha de lideranças históricas do MST em Caruaru, Rosa iniciou sua trajetória nos movimentos sociais e estudantis. Em 2026, alcançou a maior votação do PT pernambucano para a Câmara Federal, tornando-se a primeira mulher ligada ao MST eleita deputada federal.

"Fui a primeira deputada estadual assumidamente sapatão de Pernambuco. A primeira Sem-Terra. Eu quero contribuir para o governo Lula assim, fazendo luta, sendo ponte com os movimentos sociais que me forjaram e que me apoiaram para eu chegar até aqui. Tenho certeza que justamente por isso o Nordeste e a juventude terão muito protagonismo nesse novo mandato", declarou Rosa Amorim.

Já João Campos, prefeito reeleito do Recife e atual presidente nacional do PSB, colaborou diretamente na campanha presidencial e na manutenção da aliança com Geraldo Alckmin. O palanque de celebração reuniu ainda nomes de peso como Jorge Messias, Marília Arraes e Maria Marighella, ratificando a relevância do Nordeste na sustentação e no futuro do governo Lula.

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