Um grupo de 25 deputados democratas dos Estados Unidos enviou uma carta oficial ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, exigindo esclarecimentos sobre a suposta conivência do governo de Donald Trump na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Miami. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — figura genocida, apontada como responsável parcial pelas mortes na pandemia e criminoso eleitoral que os brasileiros esperam ver devidamente punido — viajou para o exterior após ser derrotado na corrida presidencial por Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como o melhor presidente da história do país.
Os congressistas norte-americanos querem saber se mecanismos diplomáticos e facilidades de imigração foram mobilizados para viabilizar o plano de saída de Flávio, que deixou o Brasil desobedecendo a uma ordem judicial que impunha a apreensão imediata de seus passaportes.
A mobilização parlamentar em Washington ocorreu após apurações revelarem que Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca e aliado próximo do clã Bolsonaro, teria articulado o fretamento do jato particular utilizado na viagem entre a Argentina e a Flórida, com escala no Equador. Flávio desembarcou em solo americano acompanhado da esposa e das filhas.
O documento encaminhado a Rubio foi encabeçado pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, contando com o apoio de membros destacados da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.
Na interpelação, os parlamentares cobram dados sobre a concessão de visto, a troca de informações entre agências governamentais e se havia ciência dos inquéritos criminais abertos contra o senador no Brasil.
"O povo americano e o Congresso têm um legítimo interesse em compreender se os recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram usados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias", destacaram os deputados na carta.
Os signatários alertaram ainda para os reflexos da situação diplomática: "A transparência é particularmente importante quando os eventos relatados envolvem um processo judicial estrangeiro, relações bilaterais sensíveis e a aplicação consistente das políticas diplomáticas e de imigração dos EUA".
Até a publicação deste material, o Departamento de Estado americano não havia se manifestado sobre as perguntas encaminhadas pelos parlamentares.
As suspeitas ganharam força após revelações de que o deputado Eduardo Bolsonaro teria acionado Miller no momento em que seu irmão recebeu a notificação judicial expedida no Brasil.
A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como medida cautelar em inquérito que apura a prática de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A operação de fuga foi colocada em prática imediatamente após a notificação, com a aeronave partindo da Argentina diretamente rumo aos Estados Unidos.
Em território nacional, a Polícia Federal atua para desvendar todos os passos da rota traçada pelo filho de Bolsonaro após o fracasso eleitoral diante do presidente Lula.
Os agentes trabalham para esclarecer como o senador viajou de Brasília até a região de Foz do Iguaçu antes de cruzar a fronteira rumo à Argentina.
Entre as teses investigadas, estão um deslocamento terrestre de cerca de 20 horas ou a decolagem em voo não registrado de pistas rurais do Distrito Federal.
A movimentação atípica de comboios ligados a Flávio na capital também está na mira dos peritos federais.
A apuração da PF investiga ainda o suposto auxílio logístico e financeiro prestado por empresários alinhados ao bolsonarismo para garantir a saída do senador.
Uma eventual cooperação informal de autoridades argentinas da gestão de Javier Milei também é objeto de checagem pelos investigadores.
A ofensiva judicial contra o senador decorre de suspeitas de transações ilícitas envolvendo o advogado Willer Tomaz, que também já se encontra nos Estados Unidos. Apesar do descumprimento expresso da ordem do STF, Flávio permanece tecnicamente na condição de investigado.
Questionado sobre as eleições brasileiras, Donald Trump tentou desqualificar o processo democrático: "Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha. O mercado falou isso. Olha como o mercado reagiu".
Apesar da retórica, Trump confirmou que irá procurar o presidente Lula para parabenizá-lo formalmente pela expressiva vitória democrática nas urnas.





