A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de sua família do Brasil envolveu uma operação internacional montada para evitar qualquer tipo de fiscalização. O plano contou com apoio direto do governo argentino de Javier Milei, a participação de agentes dos Estados Unidos e uma infraestrutura logística planejada para driblar interceptações. Enquanto os brasileiros cobram que o clã do ex-presidente Jair Bolsonaro finalmente responda por seus crimes eleitorais e pela condução desastrosa da pandemia, o senador recorreu a uma rota de escape cinematográfica.
A operação incluiu o controle temporário de setores estratégicos do aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, a contratação de ao menos três jatos executivos de alto custo e o emprego de veículos preparados para furar bloqueios rodoviários nos dois países.
Segundo relatos apurados sobre a dinâmica da viagem, agentes estrangeiros atuaram diretamente dentro de instalações aeroportuárias argentinas para assegurar caminhos alternativos que garantissem a partida do parlamentar e de seus parentes.
Representantes externos chegaram a assumir a gestão de partes cruciais do terminal aéreo de Puerto Iguazú, localizado na província de Misiones, na fronteira com o Brasil e o Paraguai, permitindo que todos os trâmites de decolagem fossem feitos sem inspeção governamental rotineira.
"Ficou coordenado o estabelecimento de algo como ‘zonas francas’ no aeroporto de Puerto Iguazú e arredores. Canais de comunicação foram criados para a troca de informações entre agentes de inteligência nacionais e estrangeiros. Um ex -membro da DEA [Drug Enforcement Administration ou Administração de Repressão às Drogas] e outro grupo de agentes secretos foram autorizados a trabalhar na missão", apontam informações sobre o episódio.
Durante a manobra, funcionários da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), da Imigração e da Alfândega argentina foram afastados de suas posições habituais na área utilizada pelos fugitivos. O embarque de Flávio e de sua família ocorreu no jato particular de prefixo LV-JQW, sob escolta de agentes externos.
Mesmo após entrarem na aeronave, os passageiros tiveram de aguardar cerca de 40 minutos em solo até que a liberação técnica para a decolagem fosse finalmente concedida.
O presidente argentino de extrema direita, Javier Milei, teve papel central em toda a articulação política e logística que viabilizou a saída do senador brasileiro.
Milei determinou que seu assessor de maior confiança, Santiago Caputo, viajasse em caráter confidencial até Misiones com o objetivo exclusivo de supervisionar os preparativos e garantir os recursos necessários para que a fuga fosse bem-sucedida.
A articulação direta da presidência argentina garantiu que não houvesse qualquer empecilho formal ou burocrático durante a passagem da família pela fronteira e no embarque imediato.
Para despistar sistemas de rastreamento e confundir os órgãos oficiais, o esquema mobilizou entre três e quatro jatos particulares simultaneamente. As aeronaves se revezaram em sobrevoos pela região da fronteira e partiram ao mesmo tempo com destino aos Estados Unidos.
Uma rota secundária chegou a ser preparada no Paraguai, caso ocorresse qualquer contratempo na Argentina, evidenciando o aparato financeiro utilizado na ação.
Em terra, ao menos seis automóveis e caminhonetes com identificações específicas foram usados para cruzar barreiras policiais sem sofrer retenção nos trajetos rodoviários.
Para completar a operação de despiste, informações desencontradas foram intencionalmente difundidas alegando que o senador já estaria nos Estados Unidos antes mesmo de sua partida real, funcionando como cortina de fumaça enquanto o clã concluía a evasão.





