A secretária nacional de Acesso à Justiça do Ministério da Justiça, Sheila de Carvalho, solicitou à Polícia Federal a abertura de um inquérito para investigar ameaças de morte e estupro sofridas pela deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos.
O pedido foi encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, depois que a parlamentar denunciou uma série de ataques nas redes sociais relacionados à sua atuação política durante as eleições presidenciais.
Além da investigação criminal, Sheila de Carvalho pediu que a Polícia Federal cobre providências das plataformas X, antigo Twitter, e Meta para interromper a circulação das ameaças e identificar os responsáveis.

Segundo o ofício, as empresas devem adotar medidas de moderação de conteúdo "para fazer cessar tais práticas criminosas e identificar os responsáveis".
O documento informa que Ana Elisa relatou receber ameaças de morte e estupro na internet por causa de seu posicionamento e de seu engajamento político.
A frequência dos ataques aumentou a preocupação com a segurança da deputada eleita. "A sra. Ana Elisa teria recebido ameaças nesse teor a cada dois minutos e receia pela sua integridade física", registra Sheila de Carvalho.
Com o envio do ofício, caberá à Polícia Federal avaliar a abertura do inquérito e definir as medidas necessárias para localizar os autores. A iniciativa do governo Lula também busca envolver as plataformas digitais na interrupção dos ataques.
Ana Elisa relatou novas ameaças na noite de quinta-feira (8). Segundo a parlamentar, as mensagens se intensificaram depois que viralizou uma publicação de Nikolas Ferreira que, de acordo com ela, atribuía à petista um conteúdo falso.
Diante do volume de mensagens, a equipe da deputada eleita desativou sua conta no X. Em vídeo, ela afirmou que as ameaças chegavam a cada dois minutos.
"Eu acredito que ninguém mereça sofrer ameaça de morte por estar politicamente engajada e tentando defender o que acha melhor para o país", declarou Ana Elisa.
A parlamentar informou que ainda não dispõe de uma força-tarefa de segurança. Ela apontou Nikolas Ferreira, Gleidson e Eduardo Azevedo como responsáveis pela divulgação do conteúdo que denuncia como falso e pediu que os três sejam responsabilizados caso algo lhe aconteça.
Outra denúncia envolve um e-mail recebido durante a campanha. A mensagem, enviada em 5 de setembro, continha ataques racistas, ameaças de morte e estupro e intimidações contra familiares da então candidata.
Segundo Ana Elisa, o remetente se apresentou como integrante de um grupo supremacista branco e mencionou dados pessoais para demonstrar que poderia localizá-la. Trechos do e-mail foram divulgados pela deputada nas redes sociais.
A equipe de Ana Elisa informou que adotou medidas policiais e judiciais para identificar o autor. Em nota, ressaltou que racismo, ameaças e violência política de gênero não podem ser normalizados na vida pública.
A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que a ocorrência relacionada ao e-mail está sob investigação. As informações disponíveis não esclarecem se as novas ameaças relatadas na quinta-feira já foram incluídas nessa apuração.
Ana Elisa recebeu 524.216 votos e ficou em segundo lugar na disputa pela Câmara dos Deputados em Minas Gerais, atrás de Nikolas Ferreira.
O resultado tornou Ana Elisa a mulher mais votada da história de Minas Gerais para o cargo e a deputada federal mais jovem eleita no país.





