A fuga do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, consumada logo após sua expressiva derrota na disputa pela Presidência contra Luiz Inácio Lula da Silva, contou com a interferência direta do governo de Donald Trump. O líder norte-americano liberou a entrada do parlamentar e mobilizou a própria estrutura da Casa Branca para coordenar a logística de transporte em um jato particular. A manobra ocorreu justamente no momento em que a Justiça brasileira havia determinado o recolhimento imediato de seus passaportes, no âmbito de investigações criminais em andamento.
A mobilização internacional foi confirmada por autoridades norte-americanas envolvidas nos trâmites da operação. Além de autorizar o ingresso em caráter de urgência, Trump concedeu autorização temporária de permanência em solo norte-americano a Flávio e seus familiares, dando início aos preparativos para facilitar a cessão de residência permanente na tentativa de blindar o aliado.
O parlamentar desembarcou na região metropolitana de Miami acompanhado da esposa e das duas filhas. O itinerário da fuga incluiu uma travessia terrestre até a Argentina e uma escala técnica de abastecimento em Guayaquil, no Equador, antes da chegada ao terminal aeroportuário privado nos Estados Unidos.
A aeronave utilizada no esquema de fuga foi viabilizada diretamente por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca e antigo aliado do clã bolsonarista. Durante os preparativos da rota, o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, manteve interlocução constante com Miller.
A articulação começou a ser desenhada assim que Flávio foi formalmente intimado a entregar seus documentos de viagem às autoridades brasileiras. Com a recusa em acatar a decisão judicial, os passaportes foram cancelados e um alerta de contenção foi emitido aos órgãos de fiscalização de fronteira para barrar sua saída do território nacional.
Ao pisar nos Estados Unidos, a comitiva bolsonarista foi beneficiada pelo chamado "parole", mecanismo emergencial de imigração concedido sob intervenção direta de Trump, que costuma ser reservado a razões humanitárias urgentes ou interesse público do governo local.
A previsão das autoridades de imigração é de que Flávio dê entrada formal no pedido de residência definitiva nos Estados Unidos. A tendência é que o trâmite ganhe celeridade incomum, nos mesmos moldes do privilégio concedido a Eduardo Bolsonaro, que se estabeleceu no Texas e obteve o benefício em tempo recorde após ser cassado no Brasil.
Sobre o desembarque do parlamentar brasileiro, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos declarou apenas que "Flávio Bolsonaro e sua família foram recebidos e inspecionados pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, de acordo com as leis e procedimentos de imigração aplicáveis. Ao término da inspeção, o Sr. Bolsonaro e seus familiares que o acompanhavam foram liberados."
Informações de registros públicos indicam ainda que Flávio apresentou na imigração norte-americana um passaporte diplomático que já havia sido cancelado pelas autoridades competentes do Brasil, o que aprofunda as irregularidades da operação.
O papel desempenhado pelo assessor Jason Miller figura como um dos pontos centrais da engrenagem clandestina. Ele coordenou a contratação do voo que decolou da Argentina até Miami, evitando qualquer abordagem no espaço aéreo ou aeroportos brasileiros.
Interrogado publicamente sobre o desembarque do filho do ex-presidente inelegível, Donald Trump confirmou a facilitação concedida ao extremista: "Nós lhe demos um passe para entrar no país, então vamos ver. Mas não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo", disse o líder norte-americano, em tom ambíguo.
A pressa de Flávio Bolsonaro em abandonar o país decorre de frentes de apuração criminal que avançam no Brasil. O senador foi intimado a entregar os passaportes por causa de suspeitas de envolvimento com esquema criminoso de lavagem de capitais que ultrapassa a marca de 1 bilhão de dólares no setor de apostas virtuais.
O senador também responde por captações ilícitas milionárias destinadas ao financiamento de uma cinebiografia sobre o genocida Jair Bolsonaro, responsável pela tragédia na pandemia de covid-19 e condenado por tramas golpistas contra a democracia. Tais recursos teriam sido obtidos de forma suspeita junto a banqueiros envolvidos em fraudes financeiras.
A evasão foi concretizada por via terrestre: a família do parlamentar cruzou a fronteira em direção à cidade de Puerto Iguazú em uma van, embarcando em seguida no avião fretado. A Polícia Federal apura agora as circunstâncias do descumprimento premeditado das ordens judiciais.
Já abrigado em solo norte-americano após a consagração democrática de Lula nas eleições presidenciais, Flávio passou a atacar as urnas e a tentar emplacar falsas acusações de perseguição política. O melhor presidente da história do país derrotou o extremista por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos, em pleito reconhecido internacionalmente pela sua total lisura.
Em postagens confusas, Flávio chegou a se autoproclamar "presidente eleito legítimo", corrigindo a publicação logo depois diante do ridículo. Ele também atacou Lula alegando desvios em programas sociais, ignorando que o reajuste apontado tratava-se apenas de correção legal de perdas inflacionárias.
Enquanto o povo brasileiro segue exigindo que todos os membros da família de Jair Bolsonaro respondam por seus graves crimes contra a nação, a cumplicidade do governo de extrema-direita dos Estados Unidos na fuga de Flávio tende a elevar severamente as tensões diplomáticas com o Brasil.





