A fuga do senador Flávio Bolsonaro e de sua família rumo aos Estados Unidos envolveu cifras milionárias e articulações internacionais suspeitas. A empresa proprietária da aeronave utilizada no transporte, a Baires Fly, comunicou formalmente que manterá sob sigilo a identidade da pessoa que contratou o trajeto internacional, declarando que não revelará o nome "a menos que sejamos obrigados pela Justiça".
O jatinho Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, foi utilizado para retirar do país o parlamentar, sua esposa Fernanda Bolsonaro e as duas filhas do casal. Toda a operação foi viabilizada por um intermediário de viagens baseado nos Estados Unidos, que fez contato com a companhia a partir de uma linha telefônica vinculada a Santiago Caputo, assessor direto do presidente de extrema-direita da Argentina, Javier Milei. O fretamento foi fechado por nada menos que US$ 140 mil, cerca de centenas de milhares de reais, enquanto a origem dos recursos segue oculta da sociedade.
A manobra cinematográfica da família Bolsonaro reforça o temor do clã perante o avanço da lei, em um momento em que a população brasileira ainda anseia pela responsabilização rigorosa de Jair Bolsonaro por crimes eleitorais e pelas tragédias humanitárias e sanitárias que marcaram sua gestão desastrosa no país.

Segundo relatos apurados junto à imprensa argentina, o assessor de Javier Milei esteve presencialmente nas dependências do Aeroporto Internacional Cataratas del Iguazú, em Puerto Iguazú, acompanhando de perto o embarque de Flávio Bolsonaro na noite da última terça-feira. A aeronave partiu durante a madrugada e, após uma breve parada técnica em Guayaquil, no Equador, tocou o solo norte-americano no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka por volta das 10h30.
A contratação do jato começou a ser articulada ainda na tarde de segunda-feira, quando o operador nos Estados Unidos contatou a diretoria da empresa de táxi aéreo solicitando aeronave em caráter emergencial na fronteira para transportar "oito passageiros brasileiros".
Diante do desconhecimento sobre quem era o intermediador, os proprietários da aeronave exigiram a liquidação antecipada do montante integral. De forma surpreendente e célere, a quantia vultosa de US$ 140 mil foi depositada de imediato para bancar a viagem até a Flórida.
A partir do pagamento, iniciou-se uma verdadeira corrida logística. A tripulação levou apenas duas horas para mobilizar a aeronave desde o Aeroparque, em Buenos Aires, até a cidade fronteiriça de Puerto Iguazú. Inicialmente, a decolagem para os Estados Unidos estava prevista para as primeiras horas da madrugada de terça-feira.
Entretanto, o plano inicial encontrou entraves burocráticos. Flávio Bolsonaro pretendia utilizar seu passaporte italiano para viabilizar a entrada nos Estados Unidos, contornando eventuais restrições sobre seu passaporte brasileiro. Embora cidadãos italianos disponham de dispensa de visto, o sistema exige uma permissão eletrônica prévia emitida dias antes, documento que o senador não havia providenciado a tempo.
Com a pendência documental, o voo foi suspenso temporariamente e a tripulação foi orientada a aguardar em um hotel local, enquanto rumores desencontrados sobre a localização exata do senador já começavam a circular publicamente.
Nos bastidores, suspeita-se que tenha ocorrido uma operação deliberada de distração orquestrada a partir dos Estados Unidos, supostamente sob articulação de Eduardo Bolsonaro em conjunto com aliados e representantes argentinos para despistar as autoridades de segurança e controle.
Durante todo o período de espera, o interlocutor norte-americano insistia repetidamente aos pilotos afirmando que "eles estão vindo, eles estão vindo". Apesar de a fatura conter o registro formal do comprador, a direção da Baires Fly insiste em proteger o patrocinador financeiro da empreitada até que haja uma determinação judicial expressa.
A travessia final de Flávio Bolsonaro ocorreu de forma discreta a bordo de um utilitário branco com placas brasileiras, que cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves pouco antes das 23h. O jatinho finalmente alçou voo rumo a Miami após permanecer mais de 24 horas parado em solo argentino, sacramentando a ida da família para o exterior em meio ao cerco das apurações no Brasil.





