O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 9 de outubro, que o Brasil não voltará a ser governado pelos "sócios do Master" nem pelos "parentes do Vorcaro". A declaração, em referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro, foi feita durante uma caminhada em Ceilândia, no Distrito Federal, no primeiro ato de rua de Lula depois do primeiro turno.
"Esse país não voltará a ser governado pelo fascismo. Não voltará a ser governado por aqueles assassinos de milhares de pessoas na Covid-19. Esse país não será governado pelos sócios do Master, pelos parentes do Vorcaro", afirmou Lula. Em seguida, o presidente disse que o país também não será governado por aqueles que, segundo ele, "roubaram R$ 12 bilhões do BRB", em referência ao Banco de Brasília.

Embora não tenha citado Flávio nominalmente, Lula fez referência à relação do senador com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Flávio confirmou que procurou recursos para financiar Dark Horse, filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador afirma que o financiamento foi privado e nega ter negociado contrapartidas.

A manifestação ocorreu no mesmo dia em que a revista Veja publicou áudios e documentos nos quais Vorcaro teria relatado a destinação de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para despesas de um documentário sobre Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone, além de outros valores ao Instituto Lula.
Segundo a publicação, os possíveis pagamentos estariam relacionados a negociações para obter acesso a fundos de pensão de servidores públicos federais.
A reportagem também atribuiu a Vorcaro o relato de que os pagamentos teriam sido articulados com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e envolveriam o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. As alegações não foram comprovadas. A Procuradoria-Geral da República não deu andamento ao relato por falta de provas, e Lula nega ter solicitado ou recebido vantagens financeiras de Vorcaro.
A campanha de Lula classificou a reportagem como "irresponsável" e informou que tomaria medidas judiciais.
A caminhada em Ceilândia também contou com a participação da primeira-dama, Janja Lula da Silva, e de Leandro Grass, candidato do PT ao governo do Distrito Federal. Grass disputa o segundo turno contra a governadora Celina Leão, do PP, em votação marcada para 25 de outubro.
Durante o discurso, Lula pediu apoio a Grass e voltou a associar seus adversários ao que chamou de "fascismo", reforçando a defesa da democracia e a oposição ao retorno do bolsonarismo ao poder.





