O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou nesta quarta-feira (7) o tom sobre a segurança pública. Candidato à reeleição, ele defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pelo governo e anunciou como lema de campanha: "Para o povo trabalhador, proteção; para o bandido, prisão".

A declaração ocorreu durante um encontro com parlamentares do PT eleitos no último domingo e congressistas que já exercem mandato.
O discurso representa uma mudança de ênfase nas manifestações de Lula sobre segurança pública. A área tem sido alvo de críticas de adversários políticos, especialmente de Flávio Bolsonaro (PL), que enfrentará o presidente no segundo turno da eleição presidencial.
"Na hora que a gente definir a aprovação da PEC, nós vamos aprovar o Ministério da Segurança Pública, para que a gente possa fazer funcionar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp)", introduziu Lula.
"O nosso lema é o seguinte: 'Para o povo trabalhador, a proteção; para o bandido, a prisão. É esse o nosso lema daqui pra frente, gente", disse Lula.
Segundo o presidente, a aprovação da PEC permitirá que a União participe "ativamente" do combate ao crime organizado. Lula afirmou que os estados "não deram conta" sozinhos das atribuições estabelecidas pela Constituição de 1988.
"Então queremos uma mudança para que a União possa entrar na questão de segurança, melhorando a participação da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Penal. Nós estamos transformando 138 presídios regionais, onde o Comando Vermelho e o PCC comandam o crime, em cadeia de segurança máxima, para que a gente possa acabar com o crime", declarou Lula.
O presidente também voltou a cobrar um posicionamento de Flávio Bolsonaro sobre a proposta em discussão no Senado para acabar com a escala 6x1. O candidato do PL é crítico à medida.
"O fim da escala 6x1... É muito importante que vocês que são parlamentares divulguem onde vocês moram, para os eleitores de vocês, o pessoal da comunidade, o significado do fim da escala 6x1. Nós temos que traduzir: ao invés de seis dias de trabalho, um de descanso, nós vamos querer cinco dias de trabalho, sem desconto salarial e dois dias de descanso", declarou.
"Quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu desafio ele a votar favorável e a pedir para o PL votar favorável. Porque eles estão inventando uma história de que é melhor negociar com o patrão, como se, no acordo leonino, o trabalhador tivesse alguma vantagem. Então, nada de aceitar barganha", concluiu Lula.
Lula defendeu a redução da jornada sem corte salarial e afirmou que pretende ver a proposta sair do papel. O tema passa a integrar a disputa política do segundo turno ao lado da segurança pública.





