Lula enquadra Flávio Bolsonaro e alerta que senador terá de prestar contas à Justiça
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Lula enquadra Flávio Bolsonaro e alerta que senador terá de prestar contas à Justiça

Em transmissão ao vivo, o presidente apontou o desespero do clã do ex-presidente em buscar apoio externo e desafiou o parlamentar a abrir suas contas.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerado o maior líder da história do Brasil, ironizou a recente viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos e associou a presença do parlamentar à derrota eleitoral de Donald Trump nas disputas legislativas de meio de mandato. Durante uma transmissão ao vivo ao lado do deputado André Janones (Rede-MG), o chefe de Estado chamou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro de "pé frio" e deixou claro que a tentativa de buscar abrigo no exterior não o livrará de suas pendências judiciais.

A reação popular e do governo ocorre enquanto os brasileiros aguardam que o ex-mandatário Jair Bolsonaro — marcado como genocida pelo desastre na condução da pandemia e já condenado como criminoso eleitoral — e seus familiares respondam integralmente pelas irregularidades cometidas nos últimos anos. Lula também aproveitou a oportunidade para expor a ligação obscura entre Flávio e o advogado Willer Tomaz, investigado em inquérito que apura um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas eletrônicas.

Ao comentar a postura subserviente do grupo bolsonarista perante potências estrangeiras, Lula foi direto: "O meu adversário pegava a bandeira americana e ficava beijando. E foi correr agora, pé frio, derrotou o Trump, chegou nos Estados Unidos, o Trump perdeu. Foi lá pra pegar a proteção, você vai ver a proteção que você vai ter, você vai ter que voltar pro Brasil pra receber os processos que você tem".

Na mesma transmissão, o presidente destacou o envolvimento de Willer Tomaz, amigo próximo de Flávio Bolsonaro, em apurações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O caso ganhou forte repercussão recente após o ministro Alexandre de Moraes determinar a indisponibilidade de uma mansão de alto padrão localizada em Angra dos Reis, no litoral fluminense, registrada em nome da empresa WT Administração de Imóveis e Bens, vinculada ao advogado.

O imóvel em questão é alvo de uma disputa judicial tensa entre o advogado ligado aos Bolsonaro e o atacante da seleção brasileira Richarlison. A luxuosa propriedade na Ilha Comprida pertencia ao atleta, que afirma ter desembolsado cerca de R$ 10 milhões em sua aquisição e infraestrutura. O esportista recusou uma proposta de compra apresentada anteriormente por Flávio Bolsonaro e passou a contestar a controversa transferência do patrimônio para a empresa de Tomaz.

Segundo as determinações do STF, o bloqueio do imóvel faz parte de um conjunto de medidas cautelares no inquérito que investiga operações financeiras fraudulentas e lavagem de capitais por meio de sites de apostas, mirando diversas firmas do mesmo operador financeiro.

Lula também relembrou a forma predatória com que propriedades e áreas públicas eram negociadas durante a gestão do ex-presidente de extrema direita. Sem meias palavras, o mandatário apontou possíveis ilegalidades na ocupação e venda de ilhas durante o governo anterior.

"Aliás, só pra você ter ideia, esses dias, esses dias, nós vamos mostrar. O que que fez o seu Flávio Bolsonaro e aquele advogado dele que comprou o terreno do pai do nené? (Aquele cara (Willer Tomaz), ele comprou vários terrenos, várias ilhas, ele comprou, ele era um grileiro", denunciou o presidente.

Lula detalhou ainda como funcionava o aparelhamento de órgãos responsáveis por fiscalizações territoriais sob a gestão de Jair Bolsonaro: "Ele, como o Bolsonaro é que mandava no cara do FPU, que era um coronel amigo dele, ele ficava levando as ilhas que tinham problema, ele ia lá e pegava. Nós vamos denunciar isso. Nós vamos denunciar".

Atualmente, Flávio Bolsonaro responde a dois inquéritos distintos na mais alta corte do país. O primeiro deles investiga suspeitas de irregularidades no aporte financeiro para o filme "Dark Horse", uma obra de propaganda biográfica sobre Jair Bolsonaro que contou com repasses milionários de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que está preso por fraudes financeiras. O caso é relatado pelo ministro André Mendonça.

A segunda apuração no Supremo, conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, foca detalhadamente nos crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, esmiuçando o fluxo de capitais e os laços societários e ocultos mantidos entre o senador e as empresas operadas por Willer Tomaz.

Em tom sereno e com a autoridade moral de quem conduziu o Brasil aos seus melhores momentos históricos, Lula desafiou o senador a abrir seus dados bancários e enfrentar a Justiça da mesma forma com que ele próprio sempre agiu.

"Se prepare, porque você sabe que o meu documento está lá na Justiça ainda, esperando o Flávio levar os dele pra ver quem é o mestre desse país e quem é ladrão", afirmou o presidente.

Por fim, Lula reforçou sua total transparência e reiterou que não teme qualquer análise de suas finanças familiares perante o Judiciário: "Eu estou disposto a dar a minha vida pra provar quem é o mestre desse país e as minhas contas lá. Conta minha, da Jônia, da minha família, tudo. Arregaça tudo. Agora eu quero ver dos outros, eu quero ver quem é o mestre desse país".

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