Estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) saíram às ruas de Niterói, no Rio de Janeiro, na noite de segunda-feira (5), um dia após o primeiro turno da eleição presidencial.
A manifestação defendeu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se posicionou contra Flávio Bolsonaro e o avanço do bolsonarismo.
A mobilização foi organizada dentro da universidade por entidades estudantis, entre elas o Centro Acadêmico Evaristo da Veiga (CAEV), da Faculdade de Direito da UFF.

O ato não fez parte de uma convocação nacional de partidos ou da coordenação da campanha presidencial. A iniciativa partiu dos próprios estudantes após o resultado das urnas.
"O abalo e o espanto com o resultado de domingo precisam se transformar em movimento", dizia a convocação divulgada pelo CAEV.
Com faixas, cartazes e palavras de ordem, os participantes percorreram o Gragoatá, o Ingá, onde fica a Faculdade de Direito, e Icaraí.
Durante o trajeto, os estudantes entoaram manifestações de apoio a Lula e críticas ao bolsonarismo.
O grupo também protestou contra a intenção anunciada por Flávio Bolsonaro de conceder anistia ao pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão.
Uma bandeira com a inscrição "UFF Antifascista" foi colocada na entrada da Faculdade de Direito.
Em frente à unidade, no Ingá, um estudante iniciou uma palavra de ordem, acompanhada pelos demais participantes.
"Os estudantes de Niterói dão um recado ao bolsonarismo. Nós não vamos recuar. É Lula. Bolsonaro, não. Ele não. Ele nunca. É Lula."
Em outro momento, os manifestantes reforçaram a oposição à possibilidade de anistia.
"Não tem anistia."
O protesto aconteceu menos de 24 horas depois de um primeiro turno que apresentou um cenário difícil para a campanha de Lula.
Flávio Bolsonaro terminou a votação com 47,03% dos votos válidos, aproximadamente 56,1 milhões. Lula recebeu 45,16%, cerca de 53,8 milhões.
A diferença entre os dois candidatos foi de pouco mais de dois milhões de votos.
Cerca de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas no domingo (4). Esse grupo será importante para as estratégias das duas campanhas no segundo turno.
Nesse cenário, a mobilização de estudantes pode representar um primeiro movimento de organização nas ruas em apoio à candidatura de Lula.
A convocação não havia sido preparada antes da votação. Ela foi organizada pelas entidades estudantis depois da divulgação do resultado do primeiro turno.
As entidades afirmaram que as semanas anteriores ao segundo turno, marcado para 25 de outubro, devem ser usadas para ampliar a mobilização.
"O recuo não é e nunca foi uma opção", dizia a convocação.
O ato também retomou a memória dos conflitos entre o governo de Jair Bolsonaro e as universidades públicas.
Durante a gestão do ex-presidente, universidades federais sofreram cortes no orçamento, enquanto Bolsonaro fez sucessivos ataques às instituições de ensino superior e aos estudantes.
A manifestação colocou a defesa da universidade pública no centro da mobilização contra o retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto, agora representado pela candidatura de Flávio Bolsonaro.
A UFF reúne cerca de 50 mil estudantes e mantém unidades em Niterói e em municípios do interior do estado do Rio de Janeiro.

