Uma megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, deixou mais de 100 mortos e provocou uma onda de indignação. Personalidades criticaram a ação nas redes e denunciaram excessos, falta de planejamento e politização por parte do governo estadual.
Os relatos classificaram a operação como "chacina" e "política de extermínio", destacando o impacto sobre moradores e a necessidade de respostas imediatas das autoridades.
Alice Wegmann (atriz): "Não se anestesiar com o absurdo do Brasil".
Debora Bloch (atriz): "A maior chacina do estado do Rio de Janeiro não é política de segurança, é política de extermínio."
João Gomes (cantor): "Galera. Meu irmão, na saída da locação, bizarro, velho. Saí no carro, veio uma moto. A gente não entendeu por que a turma estava pedindo para voltar para o lugar da locação. Mas dizem que esses caras começaram a atirar do nada, velho. Meu Deus do céu. Quando pegou as avenidas aqui, as rodovias, deserto. Que loucura".
Ludmilla (cantora): "Se protejam, fiquem em lugar seguro. Não é momento de sair de casa. Se você por algum motivo teve ou tem que sair por causa do trabalho, tenha cautela e se mantenha informado através dos canais oficiais. Se cuidem, amo vocês!", escreveu a cantora.
Míriam Leitão (jornalista): "As palavras são ‘tragédia’ e ‘desastrosa’. Essa operação foi desastrosa. O Rio ainda está contando os mortos. Então, é um desastre isso. Não teve planejamento. Se tivesse planejamento, não teria acontecido isso. O primeiro movimento do governador de culpar o governo federal foi quando ele viu que estava começando a dar errado. O erro é o governador convocar os governadores de direita. Como assim? Ele falou que não era para politizar, ele está politizando. Ele tem que se reunir com o governo federal."
Oruam (rapper) chamou a ação de "chacina" e falou sobre um "sistema sujo". "Minha alma sangra quando a favela chora porque a favela também tem família, se tirar o fuzil da mão existe o ser humano".
Paulo Vieira (humorista): "O governador bolsonarista Cláudio Castro é o grande responsável pela desgraça que o Rio vive hoje. Para se livrar, ele vai botar a culpa até no Cristo Redentor, mas não se engane. Ele inclusive foi contra a PEC da Segurança que foi votada no congresso. Só para gente não esquecer: o governador do Rio de Janeiro é do PL, todos os senadores do Rio são do PL, nove deputados federais do Rio são do PL… Agora o governador numa atitude desesperada e eleitoreira, sacrifica o povo para fazer esseteatro sanguinário para sua plateia trevosa. Que Deus tenha piedade do povo".
Rachel Sheherazade (jornalista): "A polícia entrou para cumprir 100 mandados de prisão, não para cometer 60 execuções", afirmou, criticando a celebração de parte da população diante do resultado da ação. "Essas pessoas não têm nome, não têm rosto, e principalmente, não têm dinheiro. São favelados, pretos, pardos, desafortunados. Morrendo muitos, ainda assim, não farão falta. Assim pensam alguns".
"Os maiores e mais poderosos criminosos andam de jatinho, vivem em condomínios de mansões e apertam as mãos de gente graúda de Brasília. Por que o governo não faz operações nesses lugares?" Ela concluiu ressaltando que os próprios policiais também são vítimas do sistema: "O policial aprende a odiar a favela de onde veio e não o sistema que aprisiona ele e o traficante na mesma pobreza. Ele é o bucha de canhão. No fim das contas, o gatilho quem puxa é o policial, mas a culpa da chacina é de quem manda matar."
A ação tinha como objetivo enfraquecer o Comando Vermelho, maior facção criminosa do estado, e é apontada como a mais letal da história recente do Rio, com mortos entre suspeitos e moradores.
Segundo o governo, a ofensiva foi planejada para conter ataques e prender lideranças do tráfico. Já organizações de direitos humanos, moradores e autoridades denunciaram violência excessiva, falta de transparência e abusos policiais. As críticas também citam a tentativa de culpar o governo federal e pedem cooperação com o governo federal de Lula para evitar novas tragédias e reduzir a politização da segurança pública.

