Pastor é investigado por abusos contra adolescente dentro de igreja em SP
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Pastor é investigado por abusos contra adolescente dentro de igreja em SP

A mãe de uma jovem denunciou o líder religioso por violência sexual contínua iniciada quando a vítima tinha apenas 15 anos de idade.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A Polícia Civil investiga uma grave denúncia contra o pastor Fernando Peres de Sousa, de 43 anos, acusado de cometer abusos sexuais contra uma jovem dentro de uma igreja em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. De acordo com a mãe da vítima, os crimes teriam começado quando a adolescente tinha 15 anos e continuaram por cerca de três anos. A Delegacia de Defesa da Mulher do município instaurou inquérito e começou a colher depoimentos de cerca de 20 testemunhas para detalhar o caso e apurar a existência de outras vítimas.

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A família frequentava os cultos ministrados por Fernando desde 2011 e acompanhou o líder religioso quando ele decidiu abrir o próprio templo, em 2018. Segundo relato da responsável, o período foi marcado pelo início de uma rotina opressiva. Além das acusações de abuso físico, o religioso é apontado por aplicar forte violência psicológica, incluindo ordens para que membros da congregação cortassem relações com amigos e familiares.

Segundo consta no boletim de ocorrência, a primeira abordagem ocorreu no ano de 2023, quando a adolescente estava sentada no altar e o homem se aproximou para forçar um beijo na boca. Com o passar do tempo, o assédio se intensificou, acompanhado pelo envio recorrente de mensagens de cunho íntimo por meio de aplicativos de conversa.

Por conta das investidas frequentes do religioso, a jovem chegou a reprovar o ano escolar devido ao excesso de faltas. A mãe relatou que a filha evitava as aulas temendo encontrar o investigado, que tentava buscá-la nos horários de saída escolar.

As violências sexuais aconteciam durante os cultos e encontros religiosos semanais, havendo episódios em que a garota era conduzida até a residência particular do suspeito. Tempos depois, a jovem comunicou aos parentes a intenção de abandonar definitivamente as celebrações religiosas.

"Eu falei: ‘Vamos procurar outra igreja’. Ela falou: ‘Não, mas eu não quero procurar nenhuma outra igreja, eu não quero mais ser de igreja nenhuma’. ‘Tá tudo bem, não precisa mais você ir, mas você tem certeza que você tá me falando?’. E assim, toda a vida, ela falava: ‘Mãe, eu não quero mais, e eu falava: ‘Tá bom’. Na outra semana, ela voltava. Hoje entendo que era porque era ameaçada", detalhou a mãe.

Os fatos foram revelados pela jovem em setembro de 2026. Após assistir a um documentário que abordava casos de abusos cometidos por lideranças religiosas, a filha decidiu reunir a família para relatar detalhadamente todo o histórico de agressões sofridas.

"Era uma menina cheia de planos que ele destruiu. Ele destruiu a integridade dela. Ele violou ela de uma forma que eu não consigo nem acreditar que é possível, sabe? E é muito triste. Eu só tenho ela, sabe?", declarou a responsável, abalada com a situação.

Após o caso chegar ao conhecimento público e ser divulgado por autoridades locais, o suspeito excluiu seus perfis e a página da igreja das redes sociais. Moradores da região relataram que o espaço físico onde ocorriam os cultos foi esvaziado e os equipamentos retirados do imóvel.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que medidas protetivas foram solicitadas e que as apurações prosseguem com rigor. Tentativas de contato foram feitas com Fernando Peres de Sousa, mas nenhuma resposta ou defesa oficial foi enviada até o momento.

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