A disputa presidencial ganhou um novo cenário após o primeiro turno. Segundo levantamento do instituto Vox Brasil, a chapa formada pelo presidente Lula e pelo vice Geraldo Alckmin passou à frente, enquanto a campanha bolsonarista enfrenta críticas por propostas relacionadas à Constituição, ao ajuste fiscal e aos programas sociais.
O Vox Brasil havia projetado uma diferença inferior a 2 pontos percentuais a favor de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Agora, o instituto aponta Lula e Alckmin com vantagem de 1,5 ponto, indicando uma mudança em uma eleição ainda apertada.
O diretor do Vox Brasil, Alberto Barros, atribuiu parte desse movimento à participação do eleitorado que não compareceu à votação anterior. "O Lula não perdeu o seu eleitor, este é que, simplesmente, não foi votar no primeiro turno", afirmou.
Segundo Barros, a campanha governista passou a concentrar esforços nos grupos em que possui maior apoio. "A chapa sabe onde estão as suas bases: no Nordeste, nas mulheres e nos católicos. É aí que está intensificando a campanha."
Ao mesmo tempo, mensagens atribuídas à campanha bolsonarista sobre mudanças na Constituição e a adoção de um mandato de cinco anos provocaram preocupação. Também foram criticadas possíveis alterações em garantias individuais previstas na Carta de 1988.
Outro ponto que gerou reação foi o anúncio de um ajuste fiscal rigoroso, associado no debate eleitoral ao risco de redução de programas sociais e de reajustes menores para o salário mínimo.
No programa eleitoral de rádio, a candidatura de Flávio Bolsonaro tentou afastar esse receio. Foram apresentadas as perguntas "Farmácia Popular continua?", "Minha Casa Minha Vida continua?" e "Bolsa Família continua?". As respostas foram "Continua" e "Continua, com reajuste".
A promessa de manter iniciativas dos governos Lula entrou em contraste com o discurso de mudança apresentado pela campanha bolsonarista. Essa diferença entre as críticas aos programas atuais e a promessa de preservá-los passou a ser explorada na disputa eleitoral.
Manifestações de estudantes universitários também ganharam espaço em grandes cidades. Os atos reuniram milhares de participantes em defesa do ensino e ampliaram a mobilização para além dos eventos organizados diretamente pelo PT.
A campanha de Lula, considerado uma liderança central da política brasileira, também alterou sua comunicação, passou a falar mais em mudança e prosperidade e ampliou a presença de Geraldo Alckmin nas atividades públicas.
"Eu governei São Paulo por quatro vezes, o presidente Lula governou o Brasil por três vezes, nós temos a experiência para fazer as mudanças necessárias com segurança e tranquilidade", declarou Alckmin.
A segurança da votação permanece no centro das atenções. A Polícia Federal recolheu R$ 27 milhões que seriam destinados à compra de votos no primeiro turno. Diante do risco de novas irregularidades, cresce a cobrança por fiscalização reforçada para assegurar uma disputa limpa e democrática.





