O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entra na reta decisiva da campanha para as eleições de meio de mandato sob forte desgaste político. Sua aprovação despencou para 33%, atingindo um índice mais baixo do que qualquer marca registrada ao longo de sua primeira gestão na Casa Branca. Sondagem realizada em conjunto por Ipsos, The Washington Post e a rede ABC News indica que a desaprovação ao líder norte-americano alcançou 66%, a apenas duas semanas do pleito previsto para 3 de novembro.
As apurações mostram que a popularidade de Trump permanece em patamares historicamente desfavoráveis. Do total de participantes ouvidos, 52% afirmaram desaprovar expressamente o governo, ao mesmo tempo em que os democratas consolidaram uma dianteira frente aos republicanos na disputa pelas cadeiras do Congresso.
O apoio ao presidente registrou recuo de quatro pontos percentuais na comparação com julho e já se encontra 12 pontos abaixo dos 45% verificados em fevereiro de 2025. Conforme divulgado, o percentual atual representa o pior momento de avaliação de Trump quando comparado a todo o seu período anterior de mandato.
A percepção da população a respeito dos rumos do país também se deteriorou expressivamente. Para 72% dos entrevistados, os Estados Unidos estão caminhando no sentido incorreto, patamar que supera em cinco pontos percentuais os dados obtidos em abril. A alta no custo de vida e os impactos econômicos decorrentes do conflito armado contra o Irã figuram entre os principais motivos de alarme da sociedade.
Mesmo no segmento de eleitores classificados como prováveis votantes, recorte no qual Trump historicamente obtém índices mais favoráveis, a rejeição é predominante: 62% fazem uma avaliação negativa de sua gestão, contra apenas 38% de opiniões favoráveis.
O fraco desempenho perante a opinião pública também foi constatado por outros levantamentos de abrangência nacional. Uma pesquisa Reuters/Ipsos apontou taxa de aprovação de 32%, refletindo o descontentamento geral com a condução da economia, os índices de inflação e a escalada no valor dos combustíveis.
Inclusive sondagens promovidas pela emissora de perfil conservador Fox News registraram o nível mais baixo de sustentação a Trump desde o início de seus mandatos presidenciais, situando a aprovação em modestos 36%.
Pelos dados apurados pela Fox News, 74% das pessoas ouvidas classificaram a situação econômica norte-americana como desfavorável. Além disso, 53% disseram temer um agravamento econômico no decorrer do próximo ano, enquanto 66% manifestaram insatisfação declarada com a direção assumida pelo país.
Somente 18% dos entrevistados consideraram que as finanças familiares melhoraram em relação aos dois anos anteriores. No estrato formado por eleitores independentes, 52% reportaram deterioração em sua própria condição financeira e 70% esperam um cenário econômico ainda mais adverso adiante.
A expressiva alta nos preços dos combustíveis desponta como peça central na corrosão do apoio ao governo. No levantamento da Ipsos, Washington Post e ABC News, 71% dos participantes declararam que a gasolina se tornou economicamente inacessível para o orçamento doméstico. Esse número era de 28% em fevereiro.
Conforme informações reunidas pela apuração, a guerra travada contra o Irã e os bloqueios ao fluxo de energia na região do Golfo Pérsico geraram fortes aumentos nas bombas de gasolina e diesel, aprofundando o impacto nas despesas correntes das famílias.
O desgaste atinge níveis críticos também entre os eleitores de origem latino-americana. Na pesquisa da Reuters/Ipsos, meros 24% desse estrato manifestaram apoio à administração atual, ao passo que 52% sinalizaram voto na oposição democrata nas urnas de novembro.
Outro levantamento recente, elaborado pelo Pew Research Center, revelou uma desaprovação de 74% a Trump entre eleitores latinos registrados, contra 21% de aprovação. Na mesma sondagem, 51% apoiavam os candidatos democratas ao Congresso e 55% definiram o voto como uma forma expressa de manifestar repúdio ao presidente.
Essa perda acelerada de apoio ocorre pouco tempo depois de Trump obter votações expressivas junto ao eleitorado hispânico em 2024, quando atingiu quase a metade desses votos, marco histórico para correligionários republicanos.
Faltando cerca de duas semanas para a abertura das urnas, os péssimos índices presidenciais favorecem diretamente o Partido Democrata na briga pelas vagas federais. Entre prováveis votantes ouvidos por Ipsos, Washington Post e ABC News, os democratas lideram a intenção de voto com 52%, diante de 44% dos candidatos republicanos.
Já entre o universo total de eleitores registrados, o grupo democrata alcança 50% das intenções, contra 42% da legenda de Trump. A vantagem de oito pontos percentuais é expressivamente maior do que os três pontos verificados em levantamentos de julho.
Diante desse cenário adverso, candidatos da base governista passam por dificuldades até mesmo em colégios eleitorais de histórico amplamente conservador, castigados pela adesão às diretrizes presidenciais em temas de imigração, sobretaxas alfandegárias e beligerância externa. O resultado de novembro decidirá se os republicanos conservarão ou perderão a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado.





