A possibilidade de rever a pena de Jair Bolsonaro e até conceder uma liminar que permita sua liberdade pode se transformar em combustível para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, é apontado como próximo do bolsonarismo. A movimentação em torno do processo aumenta as dúvidas sobre os possíveis efeitos políticos de sua decisão.
Segundo as informações disponíveis, Nunes Marques pretende levar à votação um pedido de revisão apresentado pela defesa. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

A revisão depende da demonstração de erros graves no julgamento. A defesa busca reduzir ou modificar a condenação, mas a Procuradoria-Geral da República já se manifestou contra o pedido.
Pessoas próximas ao ministro afirmaram que ele estaria disposto a apresentar o caso depois das eleições, "para não prejudicá-las". Mesmo assim, a simples divulgação dessa possibilidade já pode interferir no ambiente eleitoral.
Uma eventual mudança na condenação, acompanhada de liberdade por liminar até o julgamento definitivo, tende a mobilizar apoiadores do ex-presidente condenado.
Flávio Bolsonaro sustenta que, se vencer a eleição, subirá a rampa presidencial ao lado do pai. A perspectiva de liberdade ofereceria um argumento importante para essa narrativa de campanha.
Parte da base bolsonarista, que durante anos alimentou expectativas em torno das conhecidas "72 horas", pode interpretar a movimentação como uma nova promessa de retorno de Bolsonaro ao centro da política.
Também pesa o fato de Flávio ter indicado Nunes Marques ao pai para a vaga no Supremo. Essa relação amplia as críticas sobre uma possível atuação favorável à candidatura do senador.
Ao mesmo tempo, Lula enfrenta dificuldades em sua campanha de reeleição, incluindo pressões do mercado financeiro por privatizações e a oposição do governo de Donald Trump aos interesses brasileiros.
A liderança de Lula permanece como o principal contraponto democrático ao projeto bolsonarista. Seu governo enfrenta ainda um cenário institucional no qual Nunes Marques e André Mendonça ocupam, respectivamente, a presidência e a vice-presidência do TSE.
Em junho, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a rejeição da revisão e afirmou que a condenação de Bolsonaro foi sustentada por um "vigoroso conjunto probatório".
Mesmo que o pedido não prospere no Supremo, seu impacto eleitoral pode favorecer Flávio Bolsonaro. Para o bolsonarismo, a promessa de liberdade do "mito" pode ser suficiente para renovar a mobilização de sua base.





