O fundador do movimento Vida Além do Trabalho, Rick Azevedo, encontrou por acaso o deputado federal Sóstenes Cavalcante, do PL do Rio de Janeiro, no Aeroporto do Rio de Janeiro e o confrontou sobre o fim da escala 6x1.
Recém-eleito deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, Rick abordou o líder do PL diante de trabalhadores e outras pessoas que estavam no local. Sóstenes é um dos principais articuladores pela manutenção da escala 6x1 e também defende a remuneração por hora trabalhada.
"Oi, Sóstenes, como vai, querido? É hoje que o Flávio Bolsonaro vai votar contra o trabalhador? Olha aqui, gente, o presidente da bancada do PL no Congresso Nacional embarcando para Brasília, que diz defender trabalhador, não vai defender trabalhador, não defende trabalhador. Estão embarcando depois de eleitos, vão votar contra o trabalhador."

O confronto ocorreu em meio à mobilização do núcleo político da campanha de Flávio Bolsonaro para impedir o avanço da PEC que acaba com a escala 6x1. Nesta terça-feira, dia 6, aliados do candidato devem tentar adiar a votação ou esvaziar o plenário do Senado, enquanto Davi Alcolumbre mantém o início das discussões.
Um dos principais articuladores da resistência é o senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte. Coordenador da campanha presidencial de Flávio e líder da oposição no Senado, ele já havia sido apontado, ao lado do candidato, como responsável por outra tentativa de esvaziar o plenário em setembro.
A proposta reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, estabelece dois dias de repouso e proíbe a redução salarial. O texto passou pela Comissão de Constituição e Justiça e precisa de pelo menos 49 votos em dois turnos no plenário. Marinho votou contra a PEC na comissão.
Entidades empresariais dos setores de comércio, serviços e indústria também passaram a pressionar senadores para que não compareçam à votação. A estratégia busca impedir que o governo consiga o número mínimo de parlamentares necessário para analisar a mudança.
O cenário ficou mais favorável aos adversários da proposta após as eleições de domingo. O PL ampliou sua presença no Senado e chegará a 2027 como a maior bancada da Casa. Marinho também é apontado como um possível candidato do partido à presidência do Senado.
O governo Lula mantém o esforço para votar a redução da jornada ainda nesta semana. Como não houve acordo para acelerar o processo, serão necessárias cinco sessões de discussão antes da primeira votação.
A disputa sobre a escala 6x1 passou a fazer parte do embate político do segundo turno. Enquanto o grupo de Flávio Bolsonaro atua contra a proposta, a campanha de Lula mantém a redução da jornada entre suas principais bandeiras trabalhistas.

