Segundo turno em aberto: Lula pode virar, diz Coimbra
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Segundo turno em aberto: Lula pode virar, diz Coimbra

Sociólogo aponta empate técnico, abstenções elevadas e fragilidades do adversário como fatores que mantêm possível a vitória de Lula.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O sociólogo Marcos Coimbra, diretor e fundador do Instituto Vox Populi, afirmou que o resultado do primeiro turno não determina o vencedor da eleição presidencial. Em entrevista a Fernando Morais no programa Nocaute, ele avaliou que a curta distância entre os candidatos mantém aberta a possibilidade de virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 25.

"É uma tolice dizer que não existe caminho para modificar o resultado de um primeiro turno. Não existe nenhuma lei de ferro na política brasileira que impeça quem ficou em segundo de ultrapassar na etapa final. A distância entre os dois é muito pequena e as vulnerabilidades do adversário são evidentes", ressaltou Coimbra.

Para sustentar a análise, o sociólogo lembrou que disputas de segundo turno desenvolvem uma dinâmica própria. Com apenas duas candidaturas, o eleitor passa a comparar diretamente os projetos, as trajetórias políticas e as propostas apresentadas.

Coimbra citou a eleição de 2022, quando uma vantagem superior a seis pontos percentuais foi reduzida rapidamente antes da abertura das urnas. Segundo ele, o episódio mostra que o eleitorado pode mudar de posição durante a campanha final.

As pesquisas realizadas após o primeiro turno indicam uma diferença de apenas dois pontos percentuais entre os candidatos. Como essa distância está dentro da margem de erro, Coimbra considera que a disputa começa em situação de empate técnico.

Na avaliação do pesquisador, a comparação direta também amplia o peso das entregas do governo Lula, da experiência na Presidência e das trajetórias públicas dos candidatos. Esses elementos podem ganhar importância diante de candidaturas sustentadas principalmente pela retórica nas redes sociais.

Ao comentar o avanço conservador no Congresso e nas assembleias estaduais, Coimbra rejeitou explicações limitadas a possíveis erros de campanha. Para ele, o cenário eleitoral também está ligado a uma crise econômica e social iniciada há vários anos.

"O capitalismo do bem-estar social, que garantiu distribuição de renda e ampliação de direitos na segunda metade do século XX, entrou em colapso com a crise de 2008. O modelo que o sucedeu é incapaz de entregar segurança material. O resultado é o sentimento de frustração que alimenta a ilusão de que qualquer rosto desconhecido, cuja única credencial é dizer 'sou diferente', representa uma solução real."

Coimbra avaliou ainda que o crescimento da direita em partes da América do Sul e da Europa não representa necessariamente uma adesão permanente a programas ultraliberais. Em sua análise, parte desse movimento corresponde a um voto de protesto que pode mudar rapidamente.

O sociólogo também destacou a resistência da liderança popular de Lula. Desde o começo dos anos 2000, o Partido dos Trabalhadores mantém uma base eleitoral próxima de metade do eleitorado nacional, mesmo após anos de ataques políticos e midiáticos.

Outro ponto abordado foi a tentativa de apresentar programas como o Bolsa Família como um desincentivo ao trabalho. Coimbra comparou esse discurso a antigas ideias que responsabilizavam os pobres por sua condição para justificar a retirada de recursos essenciais.

Mais de 30 milhões de brasileiros não compareceram às urnas ou anularam o voto no primeiro turno. Para Coimbra, esse grupo representa uma parte decisiva da disputa e pode definir o resultado da eleição.

O desafio da campanha de Lula, segundo a análise, será mostrar de forma clara como propostas de retirada de direitos trabalhistas e congelamento de benefícios previdenciários podem afetar diretamente a vida dos trabalhadores e de suas famílias.

Coimbra concluiu que a corrida presidencial permanece aberta. O resultado dependerá da capacidade de Lula apresentar seu projeto de reconstrução do país como uma alternativa concreta para melhorar a vida cotidiana da população.

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