Senado reage a fraudes bilionárias do Banco Master e mira sigilos
Notícias
📅 04/02/2026

Senado reage a fraudes bilionárias do Banco Master e mira sigilos

Subcomissão da CAE, comandada por Renan Calheiros, ganha poderes para propor quebras de sigilo e ouvir o Banco Central; PT apoia a apuração e critica tentativas de politização.

Carregando anúncio...
Compartilhar:
Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado instalou uma subcomissão para acompanhar as investigações sobre o Banco Master, suspeito de fraudes bilionárias no mercado financeiro.

O grupo terá 13 membros e será coordenado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), que classifica o caso como a maior fraude bancária da história brasileira.

"Diante da gravidade e da magnitude dos lesados, [esse caso] deve ser encarado de frente, doa a quem doer. Não haverá, desta Comissão do Master, nenhuma retaliação absolutamente contra ninguém. Mas saiba qualquer senador ou deputado, que, em havendo culpa, também não haverá omissão desta comissão", destacou o senador alagoano.

A instalação ocorreu em meio a pedidos de CPIs para apurar o escândalo envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, com fraudes que poderiam chegar a R$ 17 bilhões.

"Não vamos competir com CPI, não. O nosso trabalho será meramente complementar, porque, como vocês sabem, é competência exclusiva da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal fiscalizar o sistema financeiro", disse Renan a jornalistas.

Segundo ele, a subcomissão poderá propor a quebra de sigilos bancários e telefônicos, realizar diligências, visitar autoridades e convocar investigados e testemunhas.

"A Lei Complementar 105 de 2001 estabelece que a quebra de sigilo pode ser proposta por esta comissão ao plenário e, em sendo aprovada pelo plenário do Senado Federal, pode fazer-se as quebras respectivas de sigilo", disse.

Renan informou que pretende questionar, por escrito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a reunião que teria tido com o dono do Master, Daniel Vorcaro.

"Todos que estiveram na reunião podem colaborar com esta comissão. Ao presidente da República, nós pretendemos fazer, por escrito, algumas perguntas sobre o fato. Se ele puder nos responder, ótimo. Isso, sem dúvida, vai ajudar na investigação que pretendemos fazer", destacou.

O senador antecipou uma reunião com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, para tratar do tema, e disse considerar que o BC demorou a liquidar o banco investigado.

"Vamos trazê-lo [Galípolo] também para falar na comissão, mas primeiro nós queremos fazer essa visita, porque, neste caso em si, ninguém mais do que o Banco Central pode colaborar com as informações, porque no sistema financeiro tudo o que se faz ficam lá as digitais. Então o Banco Central é fundamental na elucidação dos fatos", argumentou.

Outro foco será a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), instituição pública ligada ao governo do Distrito Federal.

"Tentaram vender um banco quebrado, sem ativos ou com ativos pobres, para uma instituição pública. É verdade que o diretor de Fiscalização do Banco Central mandou mensagens pressionando o BRB para comprar o Master? É verdade? São essas respostas que essa Comissão do Master pretende dar", completou.

Renan também afirmou que lideranças parlamentares pressionaram o Tribunal de Contas da União (TCU) para reverter a liquidação do Banco Master feita pelo Banco Central.

"O Tribunal de Contas foi chantageado para liquidar a liquidação. Abertamente, à luz do dia, os dirigentes da Câmara tentaram votar a elevação do FGC [Fundo Garantidor de Crédito] para R$ 1 milhão como parte dessa pressão", afirmou. Atualmente, o FGC cobre até R$ 250 mil por investidor.

Ainda segundo o senador, o presidente do Banco Central foi "várias vezes procurado por essas autoridades" sob pressão para autorizar a compra do Master pelo BRB.

A oposição protocolou um pedido de CPMI com assinaturas suficientes de senadores e deputados; a decisão cabe ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).

Há outros pedidos de CPI em tramitação. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que vai analisá-los "no momento oportuno".

O então líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que o partido apoia a CPI de Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e a CPMI apresentada por Heloísa Helena (PSOL-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS), mas não a proposta da oposição liderada pelo PL. "Não vamos entrar na defensiva num assunto que é o nosso governo que está apurando, que tem o objetivo de esclarecer tudo e eu tenho certeza que muita coisa vai aparecer. O que a gente não vai é assinar a CPMI do PL, inclusive que a CPMI que eles apresentam tem um objeto distorcido. Não é para analisar as fraudes bancárias do Master, eles tentam politizar", afirmou.

5visualizações
Compartilhar:
Carregando anúncio...

Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 21:54

Notícias Relacionadas

Nenhuma notícia encontrada.