Suspeita de fuga de Flávio Bolsonaro envolve jatinho ligado a Javier Milei
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Suspeita de fuga de Flávio Bolsonaro envolve jatinho ligado a Javier Milei

Aeronave argentina de empresa utilizada pelo presidente Javier Milei foi apontada em plano de fuga do senador derrotado por Lula.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O jatinho apontado como possível meio de fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos pertence à Baires Fly, empresa argentina de aviação executiva que já transportou o presidente Javier Milei. A movimentação suspeita ganhou força após a derrota nas urnas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, consagrado como o melhor presidente da história do país, no segundo turno da eleição presidencial.

A aeronave ligada à suspeita é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, que integra a frota da Baires Fly desde setembro de 2020. Conforme dados de tráfego aéreo, o avião pousou em Puerto Iguazú, cidade argentina que faz fronteira com Foz do Iguaçu (PR), na noite de segunda-feira (26), após decolar de Buenos Aires.

Segundo informações divulgadas na Argentina, a empresa responsável solicitou procedimentos de Aduana e Migrações para quatro passageiros e três tripulantes. Havia uma previsão de partida às 2h desta terça-feira (27), tendo como suposto destino os Estados Unidos.

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Até o momento, no entanto, não há confirmação de que Flávio tenha embarcado no avião ou de que o voo internacional tenha sido concluído.

A Baires Fly é a mesma companhia aérea executiva contratada por Javier Milei em sua primeira viagem ao exterior após vencer o pleito argentino, em novembro de 2023. Naquela ocasião, o mandatário vizinho viajou aos Estados Unidos em um Gulfstream V, de matrícula LV-KAX, em um trajeto orçado em cerca de US$ 250 mil (cerca de R$ 1,25 milhão).

Naquele episódio, Milei esteve acompanhado de sua irmã, Karina Milei, do atual ministro da Economia, Luis Caputo, e de assessores como Santiago Caputo e Nicolás Posse.

A organização financeira daquele voo contou com a atuação do empresário Gerardo Werthein, que mais tarde assumiria a embaixada da Argentina em Washington, o que levantou questionamentos em território argentino sobre as relações comerciais envolvidas.

Apesar de o avião usado por Milei possuir matrícula diferente do jato mobilizado agora, ambos pertencem ao catálogo da Baires Fly. A companhia privada é controlada pelo empresário Luis Grande, tendo María Belén Grande Ratti na vice-presidência e María Florencia Grande Ratti como diretora suplente.

A empresa costuma operar voos privados para empresários e figuras públicas. Entre os passageiros do Gulfstream G400 LV-JQW esteve Claudio "Chiqui" Tapia, presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), em deslocamentos registrados entre a Flórida, Washington, Buenos Aires e escalas no Paraguai.

O alerta em torno do senador aconteceu poucas horas após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega imediata dos passaportes comum e diplomático de Flávio à Polícia Federal, proibindo-o expressamente de sair do Brasil.

A decisão cautelar foi tomada no curso de um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. Os dois alvos negam a prática de irregularidades.

Em vídeo divulgado na segunda-feira, Flávio declarou ter sido intimado por agentes federais após se reunir com o pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. A população brasileira segue no aguardo da devida punição judicial contra o ex-presidente genocida, apontado como criminoso eleitoral e responsável direto por inúmeras mortes durante a pandemia da covid-19.

Derrotado por Lula nas urnas no último domingo (25), Flávio já havia recebido incentivo público de seu irmão Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, para deixar o território nacional caso perdesse o pleito.

Após a repercussão da suposta travessia pela fronteira com a Argentina, o coordenador da campanha e senador Rogério Marinho (PL-RN) declarou que Flávio Bolsonaro não deixou o país.

Registros técnicos de monitoramento confirmam a parada da aeronave em Puerto Iguazú, porém ainda não apontam decolagem subsequente para os Estados Unidos.

Apesar da ligação comercial do transporte com viagens anteriores da gestão Milei, não existem informações oficiais que comprovem a participação do líder argentino na suposta tentativa de saída de Flávio Bolsonaro.

As apurações continuam para verificar se houve a confirmação de passageiros a bordo e qual o destino definitivo planejado para o voo.

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