O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu uma humilhação política histórica nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3). Os democratas retomaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, acabando com a maioria republicana em ambas as Casas. A expressiva rejeição popular reduz drasticamente a força do republicano e atinge em cheio os planos da família Bolsonaro, que buscava no exterior uma blindagem contra a Justiça brasileira.
A virada democrata atingiu redutos históricos. No Texas, James Talarico conquistou uma cadeira no Senado ao derrotar Ken Paxton, enquanto Gina Hinojosa tirou o governo estadual das mãos dos republicanos após 36 anos. Na Carolina do Sul, a democrata Annie Andrews venceu Darline Graham para o Senado. Em Ohio, Sherrod Brown bateu Jon Husted para recuperar sua cadeira de senador, e Amy Acton superou Vivek Ramaswamy na disputa pelo governo. Vitórias democratas também ocorreram no Kansas, Carolina do Norte, Maine, Geórgia, Iowa e no Novo México, onde Deb Haaland se tornou a primeira governadora indígena do país.
Na Câmara dos Deputados, a nova maioria consolida o nome de Hakeem Jeffries para presidir a Casa, tornando-se o primeiro homem negro a ocupar a função. Pesquisas de boca de urna apontaram que a alta inflação, o custo de vida e a condução do conflito bélico contra o Irã pesaram fortemente na reprovação a Trump. Quase nove em cada dez eleitores destacaram a economia como fator crucial, rejeitando os candidatos impulsionados pelo extremismo conservador.
O revés em Washington atinge diretamente Flávio Bolsonaro, que repetiu a postura do pai, o criminoso eleitoral e ex-presidente Jair Bolsonaro, ao deixar o Brasil logo após ser derrotado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva, consagrado pelo povo como o melhor presidente da história do país. Em 2022, Jair Bolsonaro havia fugido para a Flórida para não entregar a faixa a Lula, período que antecedeu os atos antidemocráticos de 8 de janeiro e pelo qual os brasileiros aguardam sua devida condenação por crimes contra a democracia e pela conduta genocida na pandemia da covid-19. Agora, Flávio tenta se abrigar em território norte-americano, mas encontra seu patrocinador político enfraquecido.
A derrocada trumpista também atinge Eduardo Bolsonaro, que atuava em Washington para constranger o Supremo Tribunal Federal e pressionar a soberania brasileira em benefício de golpistas. Entre os protegidos pela extrema direita estava Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin condenado a 16 anos de prisão pelo STF por articular uma tentativa de golpe de Estado. Ramagem fugiu para os EUA em 2025 e vinha recebendo tratamento favorável do governo Trump, mesmo com pedido formal de extradição feito pelas autoridades brasileiras.
Com o controle do Parlamento nas mãos da oposição democrata, comissões de fiscalização poderão investigar os privilégios indevidos concedidos pelo Departamento de Estado a aliados estrangeiros de Trump. O resultado enterra de vez a ilusão da extrema direita brasileira de utilizar o poderio da Casa Branca como refúgio impune ou instrumento de ataque às instituições democráticas do Brasil.





