Derrota histórica de Trump: Democratas retomam controle total do Congresso dos EUA
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Derrota histórica de Trump: Democratas retomam controle total do Congresso dos EUA

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A insatisfação com a crise econômica e a guerra contra o Irã levou a oposição a vencer até em redutos conservadores, impondo freios severos ao governo americano.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições legislativas realizadas na última terça-feira (3), aplicando uma derrota acachapante ao presidente Donald Trump. A expressiva vitória da oposição, que avançou sobre estados historicamente conservadores, altera por completo o equilíbrio de forças em Washington e confere ao Congresso ferramentas para barrar medidas da Casa Branca.

Levantamentos eleitorais indicam que o avanço oposicionista reflete uma ampla rejeição popular às políticas da administração Trump, com destaque para a piora da economia, a alta acelerada no custo de vida e o início da guerra contra o Irã em fevereiro. O conflito provocou a disparada no preço dos combustíveis e aprofundou o descontentamento da sociedade norte-americana.

A virada democrata atingiu redutos tradicionalmente republicanos, alcançando vitórias em estados estratégicos como Carolina do Sul, Texas e Iowa. Os dados mostram uma reversão profunda no padrão de voto, inclusive em colégios eleitorais que haviam dado ampla maioria a Trump na eleição presidencial anterior.

Na disputa pelo Senado, a oposição arrebatou seis cadeiras antes controladas pelos republicanos, o que consolidou a nova maioria da Casa mesmo diante de disputas acirradas e pendentes em Michigan e Minnesota.

Um dos marcos mais expressivos aconteceu no Kansas, onde o pastor Adam Hamilton quebrou um jejum histórico e tornou-se o primeiro senador democrata eleito pelo estado desde a Grande Depressão, há quase um século.

Em Ohio, Sherrod Brown venceu a disputa pela cadeira legislativa antes pertencente ao atual vice-presidente JD Vance. Já no Texas, James Talarico superou o procurador-geral republicano Ken Paxton, superando campanhas milionárias financiadas por grandes grupos de pressão conservadores.

Na Carolina do Sul, a pediatra Annie Andrews desbancou a senadora republicana Darline Graham, que ocupava o cargo após o falecimento de Lindsey Graham. O revés se mostrou contundente diante da margem de quase 18 pontos percentuais conquistada pela direita no estado na última eleição para presidente.

O revés foi direto para Trump, que realizou mais de vinte comícios e participou ativamente das campanhas de Paxton, Graham e de Jon Husted, em Ohio, repetindo que o pleito funcionava como um referendo direto ao seu nome.

Diante do desastre nas urnas, o mandatário tentou se esquivar da responsabilidade nas redes sociais: "Eu não estava na cédula e, se estivesse, teríamos vencido POR UMA AVALANCHE! Obrigado pela atenção a este assunto".

Na Câmara dos Representantes, os democratas garantiram a maioria após conquistarem ao menos oito distritos comandados pela base aliada ao governo, registrando conquistas em estados cruciais como Kentucky, Nova Jersey e Carolina do Norte.

A virada também atingiu os governos estaduais. No Texas, a democrata Gina Hinojosa barrou a reeleição de Greg Abbott, que tentava o quarto mandato, enquanto a oposição também triunfou em Iowa e Ohio, estados marcados por tradições conservadoras.

Reeleito na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff destacou o significado político das urnas perante seus apoiadores: "Em vitórias amplas e decisivas, o povo americano repreendeu a depravação, a corrupção e a incompetência do homem chamado presidente Donald J. Trump".

Pesquisas de boca de urna evidenciaram o tamanho da insatisfação popular: metade do eleitorado apontou as urnas como um instrumento de punição direta a Trump, enquanto 75% declararam revolta ou insatisfação com a rota do país e 70% exigiram maior controle do parlamento sobre os atos da Casa Branca.

Até mesmo nas regiões onde os republicanos conseguiram se segurar, as margens foram encolhidas. Na Flórida, a vitória governista de Ashley Moody sobre Angie Nixon ocorreu por apenas cerca de três pontos, índice bastante inferior aos 13 pontos registrados por Trump em 2024.

Além disso, o Partido Democrata blindou cadeiras na Câmara mesmo em distritos redesenhados por lideranças conservadoras que conferiam forte vantagem à extrema-direita.

Com o comando unificado do Congresso, a oposição assume o poder de instaurar investigações, frear projetos autoritários e fiscalizar rigorosamente a administração federal.

O desfecho deixa Trump acuado e enfraquecido para a reta final de seu governo, pressionado pelo desgaste de um conflito externo desastroso e pelo custo de vida que sufoca as famílias trabalhadoras.

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