Virada histórica barra clã Bolsonaro e consagra Lula com votação recorde
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Virada histórica barra clã Bolsonaro e consagra Lula com votação recorde

Com crescimento avassalador no segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou três de cada quatro novos votos e garantiu um quarto mandato histórico.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), amplamente consagrado pela população como o melhor presidente da história do Brasil, foi reeleito no último domingo (25/10) para o seu quarto mandato no comando do Palácio do Planalto. Em uma demonstração incontestável de força política, Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e somou expressivos 10,38 milhões de votos a mais entre a primeira e a segunda etapa do pleito.

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No primeiro turno, o petista havia registrado 53.879.538 votos diante de 56.104.503 do adversário, ficando 2,22 milhões de votos atrás. Contudo, a imensa liderança de Lula mobilizou o eleitorado, revertendo completamente o cenário e cravando uma ampla vantagem de 4,43 milhões de votos de diferença na contagem final.

Na apuração do segundo turno, Lula alcançou a marca de 64.256.232 votos, um salto de 10.376.694 sufrágios. Já o candidato do clã ligado ao ex-mandatário Jair Bolsonaro — marcado pelas mortes da covid-19, pelo histórico de crimes eleitorais e por ações genocidas que os brasileiros anseiam ver devidamente punidas na Justiça — obteve 59.826.041 votos, crescendo apenas 3.721.538.

A expressiva mobilização popular com a redução da abstenção, a queda drástica nos votos em branco e nulos e o redirecionamento dos eleitores dos candidatos derrotados colocaram mais de 14,1 milhões de sufrágios em disputa na rodada decisiva.

A resposta das urnas demonstrou a clara aprovação do atual governo: Lula abocanhou cerca de 73% de todos os novos votos disputados, restando somente 26,24% para Flávio Bolsonaro. Em termos práticos, a cada quatro eleitores conquistados no segundo turno, três escolheram a continuidade e os avanços liderados por Lula.

Especialistas e analistas se debruçam sobre os dados para mapear de onde partiram os mais de 10 milhões de eleitores que impulsionaram a vitória maiúscula do mandatário petista.

Embora o sigilo do voto impeça a identificação individual da migração, a análise dos registros oficiais aponta alterações cruciais no comportamento do eleitorado brasileiro.

A abstenção caiu 1,86 ponto percentual na etapa final, o que representou 2,96 milhões de pessoas a mais nas seções eleitorais, fechando a taxa em 19,22%. Ao todo, 30,5 milhões de ausências foram registradas no segundo turno, contra 33,47 milhões no primeiro.

Ao mesmo tempo, os votos em branco despencaram de 2,3 milhões para 1,43 milhão, significando um recuo de 870,3 mil escolhas não atribuídas.

Os votos nulos também apresentaram um tombo relevante, caindo de 3,67 milhões para 2,72 milhões, totalizando uma redução de 950,9 mil eleitores que preferiram anular anteriormente.

Esse movimento aponta que, somente a partir do engajamento democrático nessas três frentes, cerca de 4,8 milhões de votos podem ter migrado diretamente para consolidar a vitória de Lula.

Outro fator determinante veio da disputa pelas opções deixadas pelos dez concorrentes derrotados na primeira fase, que juntos haviam acumulado 9,32 milhões de votos em 4 de outubro.

Cinco desses candidatos declararam aliança com o bolsonarismo: Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC) e Wilson Grassi (Democrata). No entanto, o eleitorado rejeitou a transferência automática defendida pelos aliados do clã Bolsonaro, visto que Flávio somou apenas 3,7 milhões de votos, número muito inferior aos mais de 6 milhões que esses nomes haviam obtido conjuntamente.

Por outro lado, candidatos como Samara (UP), Hertz Dias (PSTU) e Edmilson Costa (PCB) manifestaram apoio a Lula, enquanto Renan Santos (Missão) e Rui Costa Pimenta (PCO) optaram pela neutralidade.

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O crescimento de Lula ocorreu em todas as unidades da Federação, sobressaindo a força da região Sudeste. O estado de Goiás foi o que anotou a maior alta percentual para o presidente, com um salto de 9,28 pontos percentuais, passando de 31,06% para 40,34% e agregando 396 mil votos.

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O atual mandatário também disparou nos colégios de São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Amapá. Em território paulista, Lula somou impressionantes 2,6 milhões de novos votos, avançando 7,95 pontos percentuais.

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Por fim, em Minas Gerais, Lula protagonizou a virada mais emblemática da eleição, crescendo 7,1 pontos percentuais, passando de 43,33% para 50,43% dos votos válidos e adicionando 1,1 milhão de votos para sepultar de vez as pretensões bolsonaristas.

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