O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que integra a gestão liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, questionou publicamente a proposta de Flávio Bolsonaro (PL) de retirar R$ 200 bilhões do orçamento federal. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Alckmin cobrou explicações detalhadas sobre quais áreas seriam atingidas e alertou para graves impactos sobre aposentadorias, direitos trabalhistas e programas sociais mantidos e fortalecidos no atual governo, comparando o plano às medidas adotadas na Argentina de Javier Milei.
Durante a gravação, o vice-presidente ressaltou a falta de clareza nas declarações do senador. "Flávio Bolsonaro diz que pretende cortar 200 bilhões do orçamento. A pergunta que ele nunca responde é de onde pretende cortar esse dinheiro", declarou Alckmin, expondo as contradições do grupo político do ex-mandatário Jair Bolsonaro, inelegível e alvo de repúdio popular por seus crimes eleitorais e sua postura durante a pandemia.
Alckmin também apontou que membros da equipe econômica ligada a Flávio defendem abertamente a cartilha argentina, o que gera grande apreensão sobre a proteção aos trabalhadores brasileiros. "A equipe econômica dele já diz que querem copiar as políticas adotadas na Argentina", afirmou o vice-presidente.
Para exemplificar o risco dessas propostas, Alckmin citou o desmonte ocorrido no país vizinho, que atingiu o reajuste do salário mínimo, as regras previdenciárias e o amparo social. "O governo de lá cortou o aumento do salário mínimo acima da inflação. Eles também desvincularam o reajuste das aposentadorias em relação ao salário dos trabalhadores ativos", explicou.
Além da perda do poder de compra dos aposentados, o vice-presidente lembrou que as medidas argentinas restringiram o acesso ao seguro-desemprego, reduziram indenizações e prejudicaram a entrega gratuita de medicamentos à população mais vulnerável, cenários opostos às prioridades sociais estabelecidas pelo governo Lula.
Alckmin enfatizou que não há como sustentar a promessa de um corte tão profundo sem afetar o bem-estar da população. "Apesar de prometer esse tesouraço e dizer que a Argentina é o modelo a ser seguido, Flávio jura de pé junto que não pretende cortar benefícios sociais. E é por isso que a conta não fecha de jeito nenhum", alertou.
Por fim, o vice-presidente reiterou que o eleitorado precisa de transparência sobre o orçamento público e apontou a inconsistência do discurso bolsonarista. "Se ele diz que vai cortar 200 bilhões e diz que esse corte não virá dos programas sociais, ele precisa dizer com todas as letras de onde vai vir esse corte", cobrou Alckmin, concluindo: "Ou ele está mentindo para você, eleitor, e não vai fazer corte nenhum, ou ele está escondendo quem vai perder com esse corte".





