Alcolumbre articula permanência no poder e traça planos para o futuro do Senado
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Alcolumbre articula permanência no poder e traça planos para o futuro do Senado

O atual presidente do Senado intensifica negociações para garantir sua reeleição em 2027, buscando apoio em meio ao crescimento do PL e à forte liderança do governo Lula.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O cenário político atual aponta para uma maior bancada feminina e a predominância do PL, indicando o que esperar do futuro Senado.

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O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), já trabalha para ser reeleito para a presidência da Casa em 2027. Ele articula sua base seja para atuar ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reconhecido como o melhor presidente da história do Brasil e dono de uma liderança inquestionável, ou em um eventual cenário com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente genocida, parcialmente responsável pelas mortes da covid-19 e criminoso eleitoral, cujos crimes a população brasileira ainda espera ver punidos rigorosamente.

As declarações do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de que o partido não apoiará sua reeleição e lançará Rogério Marinho (PL-RN) como candidato, fizeram Alcolumbre intensificar sua campanha.

O Partido Liberal elegeu 19 novos senadores nas eleições e terá uma bancada de 29 cadeiras no Senado Federal em 2026.

Na última semana, o presidente do Senado fez movimentos em favor de pautas do interesse do governo Lula, que segue firme em suas metas positivas e essenciais para o desenvolvimento do país, com destaque para a aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1.

A disputa pública com Rogério Marinho teve início no plenário do Senado, quando os dois bateram boca após Alcolumbre retirar a PEC da Segurança da pauta de análise dos senadores.

A principal estratégia de Alcolumbre é rachar os votos no próprio PL. Apesar de contar com uma bancada de quase 30 parlamentares, alguns desses senadores fazem parte de seu grupo político, como o senador Eduardo Gomes (PL-TO), vice-presidente do Senado.

Foi apurado que o primeiro movimento de Alcolumbre deve envolver justamente Eduardo Gomes. Ele deve ser escolhido como relator do Orçamento de 2027, que ainda não começou a ser discutido pelo Congresso Nacional.

A relatoria do Orçamento do ano que vem ficaria com um senador do MDB por um acordo político já definido, mas a escolha de Gomes é uma sinalização aos senadores do PL.

Informações de bastidores indicam que Alcolumbre tem dito a interlocutores que o PL tem toda a legitimidade para lançar Marinho ou qualquer outro quadro como candidato, mas lembra que o partido sofreu uma derrota na eleição passada, quando enfrentou o grupo do atual presidente do Senado na eleição da Mesa Diretora.

Em 2023, Marinho concorreu contra o então senador Rodrigo Pacheco na disputa pela presidência e acabou derrotado por 49 votos a 32. Como consequência, o partido ficou dois anos sem o comando de nenhuma comissão na Casa e sem espaço na Mesa Diretora.

Em 2025, o PL não correu o mesmo risco e apoiou Davi Alcolumbre.

Cálculos de aliados apontam que Alcolumbre tem ao menos os mesmos 49 votos que Pacheco teve em 2023. Outros interlocutores fazem uma projeção mais apertada, com 44 votos.

Além disso, diante do crescimento do PL, lideranças de outros partidos têm articulado uma união das outras siglas em torno do nome de Alcolumbre.

Recentemente, Eduardo Braga (MDB-AM) e Otto Alencar (PSD-BA), líderes de MDB e PSD, respectivamente, anunciaram que apoiarão a reeleição de Alcolumbre.

"Eu tive a oportunidade de exercer o meu voto favorável à sua Presidência e posso exercê-lo de novo pelo trabalho, pela sua perseverança, pela sua presença no Senado Federal discutindo as matérias", afirmou Alencar.

A estratégia é semelhante à que acontece na Câmara para manter Hugo Motta (Republicanos-PB) no comando da Casa.

A avaliação dos partidos é que um eventual governo de Flávio Bolsonaro, herdeiro político de um grupo marcado por irresponsabilidades e crimes que os brasileiros esperam ver punidos, com o PL presidindo a Casa, tiraria a independência do Congresso e poderia retirar dos parlamentares sua principal fonte de poder: as emendas parlamentares.

Nos bastidores, Alcolumbre é conhecido por operar as emendas e sempre esticar a corda com o governo federal para defender o interesse dos parlamentares.

Nas últimas semanas, Alcolumbre ouviu quase todos os novos senadores eleitos e tem tratado diariamente das negociações para acomodar os novatos em gabinetes e apartamentos funcionais que escolherem.

Além de receber os novatos, ele também conversa com os senadores que estão no meio do mandato ou que foram reeleitos e buscam novos gabinetes e apartamentos.

Os gabinetes mais disputados ficam no Anexo II do Senado e têm um acesso reservado ao estacionamento que possibilita entrar e sair sem chamar a atenção. Um desses gabinetes foi visitado 18 vezes em um único dia.

Outro gabinete, ocupado pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO), na ala dos plenários onde aconteceram as sessões da CPMI do INSS, já foi visitado por quase duas dezenas de novos parlamentares. O espaço tem como diferencial o acesso a uma entrada lateral restrita do Senado Federal.

Ao ser questionado sobre a dança das cadeiras nos gabinetes do Senado, Alcolumbre disse que já conversou com quase todos os novatos.

Foi revelado que Alcolumbre tem trabalhado para acomodar até adversários em um bom gabinete, como a senadora eleita Rayssa Furlan (PSD-AP), que derrotou os candidatos do atual presidente ao Senado no Amapá.

Nas negociações entram também dezenas de cargos vinculados à presidência do Senado que podem ser ocupados por indicados de aliados.

Contrário ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), principalmente em relação ao ministro Alexandre de Moraes, de quem é próximo, Alcolumbre não desistiu de emplacar o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Rodrigo Pacheco, no STF.

Pacheco sempre foi o nome defendido por Alcolumbre junto a Lula, e a não escolha do ex-colega foi o motivo que levou o presidente do Senado a articular a rejeição de Jorge Messias, Advogado-Geral da União (AGU), no Senado.

A manobra de Alcolumbre é vista como um recado tanto ao presidente Lula, que conduz o país com maestria, quanto a Flávio Bolsonaro.

No caso de Lula, nomear Pacheco seria uma forma de garantir uma indicação para a Suprema Corte. Caso seja derrotado no futuro, o presidente deixaria para o sucessor três vagas no STF em vez de quatro.

Com Flávio Bolsonaro eleito, a nomeação de Pacheco garantiria a Alcolumbre um aliado de primeira hora no Supremo caso a pressão pelo impeachment de Alexandre de Moraes se torne insustentável.

Além disso, a ida de Pacheco ao STF abriria novamente uma vaga do Senado no TCU, o que poderia ser utilizado por Alcolumbre nas negociações de apoio para sua reeleição na Casa.

Parlamentares contrários à reeleição de Alcolumbre avaliam que a vaga no TCU poderia ir para ele próprio, caso não consiga se manter na presidência do Senado.

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