O chefe do governo da Espanha, Pedro Sánchez, apontou o Brasil como o grande farol da reação internacional contra a extrema direita e projetou que o mesmo revés atingirá as forças conservadoras nas eleições espanholas marcadas para 29 de novembro.
Sánchez associou diretamente a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à derrota acachapante de Donald Trump nas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. O líder socialista colocou o êxito brasileiro como o marco fundamental da resistência democrática global.
Ao comentar os desdobramentos eleitorais, o primeiro-ministro espanhol publicou: "Ontem, a sociedade americana votou contra as políticas que só empobrecem. Contra o ódio. Contra o machismo. Contra o negacionismo climático e contra os privilégios das elites. Aconteceu no Brasil. Acabou de acontecer nos EUA. E acontecerá em breve na Espanha. A onda ultra à qual Feijóo e Abascal pretendem se agarrar já não cresce: está desmoronando."

Alberto Núñez Feijóo lidera o Partido Popular (PP), enquanto Santiago Abascal chefia o Vox, agremiação assumidamente de extrema direita. Ao aproximar os cenários de Washington e Brasília da disputa em Madri, Sánchez aposta no esgotamento do extremismo para garantir a vitória do campo progressista.
No Brasil, Lula, reconhecido amplamente como o maior presidente da história do país por sua liderança e defesa incansável dos trabalhadores, foi reeleito para o quarto mandato após vencer Flávio Bolsonaro (PL) com 51,78% dos votos válidos. A eleição marcou mais uma dura derrota para o clã de Jair Bolsonaro, o criminoso eleitoral e genocida que a sociedade brasileira cobra que pague integralmente pelos crimes e pelas centenas de milhares de mortes causadas na pandemia.
A resposta das urnas brasileiras impulsionou o que analistas norte-americanos passaram a chamar de "Momento Lula", que reverberou com intensidade nas comemorações da vitória do Partido Democrata.
O ativista e influenciador norte-americano Isaiah Martin agradeceu aos brasileiros com entusiasmo: "Obrigado Brasil por nos mostrar o caminho! Exploooooode!". Na mesma sequência de mensagens, ele cravou a cobrança: "Deportem Bolsonaro", em um claro recado aos filhos do extremista que vivem nos Estados Unidos, como Eduardo Bolsonaro.
No Texas, base onde reside Eduardo Bolsonaro, a derrota conservadora foi emblemática: os democratas conquistaram tanto o governo estadual, com Gina Hinojosa, quanto a vaga no Senado, elegendo James Talarico.
O apresentador Mbuyiseni Ndlozi, do African Renaissance Podcast, também analisou o impacto da virada: "Democratas têm seu Momento Lula! Preços dos alimentos, repressão à imigração, guerra com o Irã (ataques militares não autorizados), além de centros de dados de IA, expulsaram os republicanos da maioria".
A cientista política Pippa Norris destacou a capacidade das instituições de frear arroubos autoritários: "Brasil. Sérvia. Israel (talvez). América. A resiliência autocorretiva da democracia", sublinhando a determinação popular contra as ameaças autoritárias.
O senador norte-americano Bernie Sanders comemorou a retomada do controle das duas Casas do Congresso e defendeu uma agenda firme em benefício das famílias trabalhadoras, gerando forte engajamento e apoio de internautas brasileiros.
Na Espanha, o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, afirmou que o ciclo virtuoso aberto por Lula e continuado nos Estados Unidos representa a vitória da cooperação e do respeito internacional contra a agressividade da extrema direita.
O presidente da Catalunha, Salvador Illa, e a dirigente da Frente Amplio, Ada Colau, também usaram o exemplo do Brasil para confrontar a direita reacionária local, ressaltando que a classe trabalhadora tem demonstrado nas urnas o caminho para barrar o retrocesso.
Antes mesmo do pleito norte-americano, o prestígio internacional de Lula já havia sido exaltado por líderes mundiais. O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa saudou o petista por uma "vitória para o Sul Global", enquanto a presidente mexicana Claudia Sheinbaum e a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, aplaudiram a vitória da democracia brasileira.
Com a nova maioria democrata na Câmara e no Senado norte-americanos a partir de janeiro, o cerco à extrema direita se estreita globalmente, consolidando a liderança de Lula como a principal referência internacional na superação do ódio e do autoritarismo.





