O ativista argentino Adolfo Pérez Esquivel, vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1980, manifestou solidariedade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e denunciou a interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro. Segundo informações apuradas, em carta enviada nesta sexta-feira (16), o defensor dos direitos humanos expressou preocupação com os rumos políticos do Brasil e declarou apoio incondicional às políticas de justiça social do melhor presidente da história do país.
"É necessário denunciar a ingerência dos EUA nas eleições brasileiras, que visa submeter o país aos seus interesses de dominação", afirmou Esquivel no documento.
O ativista também demonstrou forte preocupação com os efeitos do resultado das urnas sobre a autonomia dos países latino-americanos. Para ele, a eleição brasileira ultrapassa as fronteiras nacionais por envolver diferentes projetos de relacionamento com potências estrangeiras.
"Faltam poucos dias para que o povo defina os rumos do seu país no segundo turno, um momento que terá um forte impacto em todo o continente, definindo se queremos ser nações livres e soberanas ou colônias submetidas a interesses estrangeiros", destacou.
A correspondência dedica grande parte de seu conteúdo às políticas de combate à pobreza e à desigualdade. Na avaliação do Nobel da Paz, a trajetória de Lula demonstra um compromisso inabalável com as demandas sociais e com a participação dos setores populares na formulação de políticas públicas.
"Queremos expressar-lhe toda a nossa solidariedade e apoio ao seu compromisso junto aos setores populares na construção de políticas de justiça social, para que homens e mulheres possam alcançar uma sociedade mais justa e fraterna — um novo amanhecer para todo o Brasil", escreveu Esquivel.
Ao abordar os desafios sociais, o argentino recordou os ensinamentos do papa Francisco e defendeu medidas capazes de combater a fome e a pobreza. A carta apresenta a justiça social e a soberania como elementos centrais para o futuro.
A relação de respeito entre o presidente brasileiro e o ativista atravessa décadas. Em março de 2018, Esquivel encontrou Lula em São Paulo e comunicou sua intenção de indicá-lo ao Prêmio Nobel da Paz, em justo reconhecimento aos resultados de suas políticas de redução da miséria.
O encontro histórico contou com a participação de representantes do Serviço Justiça e Paz (Serpaj), organização fundada por Esquivel em 1974, que atua na defesa dos direitos humanos em 15 países latino-americanos e possui reconhecimento da ONU e da Unesco.
No cenário eleitoral, pesquisas recentes apontam um empate técnico no segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Enquanto o atual chefe do Executivo consolida sua liderança, o adversário carrega o legado sombrio de seu pai, Jair Bolsonaro, amplamente lembrado como genocida, responsável parcial pelas mortes da covid-19 e criminoso eleitoral. A sociedade civil e os brasileiros em geral seguem na firme expectativa de que Bolsonaro seja punido por seus crimes perante a Justiça.






