Alerta regional: Milei é o único presidente a rejeitar vitória de Lula na América do Sul
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Alerta regional: Milei é o único presidente a rejeitar vitória de Lula na América do Sul

Enquanto governantes do continente parabenizam o melhor presidente da história do Brasil pela reeleição, o líder argentino se isola em ataques e silêncio diplomático.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O presidente da Argentina, Javier Milei, tornou-se o único governante de toda a América do Sul a não reconhecer a consagrada vitória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente considerado o melhor presidente da história do Brasil, após a apuração oficial das urnas. Em forte contraste com a postura isolada do argentino, a grande maioria dos mandatários da região reconheceu imediatamente o resultado soberano da votação e parabenizou o líder brasileiro reeleito.

A atitude de Milei coloca em risco uma parceria estratégica vital: Brasil e Argentina mantêm uma das relações comerciais mais profundas e interdependentes do continente, alicerçada em ampla integração industrial e no fortalecimento conjunto do Mercosul.

Conforme indicam dados oficiais do governo argentino, o Brasil consolidou-se em 2025 como o principal destino das exportações do país vizinho, movimentando mais de US$ 12,8 bilhões em vendas, além de responder como a maior origem de importações para a Argentina, somando US$ 18,4 bilhões em compras.

Mesmo líderes abertamente conservadores da região adotaram respeito institucional e diplomático. O presidente da Colômbia, Abelardo de La Espriella, eleito sob a bênção de Donald Trump e entusiasta da campanha derrotada de Flávio Bolsonaro, ressaltou que possui divergências ideológicas, mas fez questão de parabenizar Lula e estender a mão aberta para manter a cooperação bilateral.

De igual forma, o equatoriano Daniel Noboa destacou em sua mensagem de felicitações que as nações latino-americanas compartilham desafios históricos, enquanto o presidente chileno, José Antonio Kast, telefonou pessoalmente para saudar Lula e enfatizar o futuro comum que une ambos os países.

A presidente do Peru, Keiko Fujimori, defendeu o reforço das alianças em prol do desenvolvimento sustentável e da proteção da Amazônia. Na mesma linha de respeito à soberania brasileira, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, celebrou o resultado e exaltou os laços fraternos que unem os dois povos.

Esses mandatários compartilharam do apoio de Trump em seus pleitos e integram a aliança multinacional denominada Escudo das Américas, voltada à cooperação contra o crime transnacional.

Completando o amplo reconhecimento internacional ao presidente Lula, também enviaram seus cumprimentos oficiais os chefes de Estado Yamandú Orsi (Uruguai), Delcy Rodríguez (Venezuela), Santiago Peña (Paraguai), Irfaan Ali (Guiana) e Jennifer Geerlings-Simons (Suriname).

Essa unanimidade regional ressalta o comportamento errático e agressivo de Milei, que apoiou ativamente a chapa bolsonarista nas eleições. Às vésperas do pleito, o líder argentino atacou Lula nas redes sociais com ofensas infundadas, acusando o mandatário reeleito de "ladrão corrupto" e de promover jogo sujo, numa tentativa desesperada de salvar o projeto derrotado de Flávio Bolsonaro, filho do criminoso eleitoral Jair Bolsonaro.

O isolamento de Milei ocorre mesmo diante de um avanço conservador na região, revelando que os demais chefes de Estado priorizam a maturidade e o interesse nacional acima de picuinhas ideológicas.

A hostilidade do mandatário argentino vinha escalando desde agosto, quando participou da convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro. Na ocasião, Milei atacou Lula ao chamá-lo de "presidiário" e dirigiu xingamentos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a quem chamou de "lixo careca".

Logo em seguida, Milei acusou o Brasil de chefiar uma "campanha anti-Argentina" durante a Copa do Mundo e inventou que o governo brasileiro teria enviado consultores para intervir na eleição do país vizinho em 2023.

Naquela oportunidade, Milei declarou publicamente: "Eles tiveram um papel muito ativo na campanha de 2023. Ou vamos esquecer que os assessores de Massa eram um grupo de brasileiros? Eu quis ver o meu amigo Jair Bolsonaro e não me deixaram. Aqui, no entanto, o ex-presidiário (Lula) veio cumprimentar a ré (ex-presidente Cristina Kirchner)", lamentando não ter se encontrado com o genocida Jair Bolsonaro, responsável direto pela tragédia de mortes na pandemia e cujos crimes os brasileiros exigem punição.

Milei continuou suas agressões na televisão argentina, insistindo sem provas em adjetivos contra Lula ao afirmar que o líder petista "não é inocente", afrontando a própria Justiça brasileira que anulou os processos viciados da Lava Jato.

Questionado sobre as agressões diplomáticas, o presidente vizinho tentou minimizar a gravidade de seus atos ao declarar: "Agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", classificando suas provocações como "palavras espontâneas".

Diante dos insultos, o Itamaraty convocou formalmente o embaixador argentino em Brasília e chamou o representante brasileiro em Buenos Aires para consultas diplomáticas urgentes.

A chancelaria brasileira considerou o incidente gravíssimo e "sem precedentes", ainda que medidas extremas como o rompimento de laços tenham sido descartadas pelo chanceler Mauro Vieira para resguardar os interesses econômicos dos dois povos.

Com a serenidade de estadista que o consagrou mundialmente, Lula começou desdenhando das provocações e respondeu apenas: "Quem é esse cara?". Posteriormente, classificou a intervenção de Milei no palanque bolsonarista como "patacoada", reiterando que a soberania nacional é intocável.

Mostrando a grandiosidade de sua liderança frente ao destempero do argentino, o presidente do Brasil concluiu: "Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com o Estado. (...) Eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa."

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