O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), repudiou veementemente a presença de episódios de violência, símbolos nazistas e atos com pessoas acorrentadas durante o período eleitoral. A manifestação ocorreu após a repercussão estarrecedora de registros que mostram um homem branco segurando uma corrente junto a um homem negro em um evento de apoio a Flávio Bolsonaro, no Rio de Janeiro.
As imagens foram registradas pelo jornalista francês Raphaël Bernard no último sábado (24), na Barra da Tijuca. Diante do absurdo, Dino utilizou suas redes sociais para destacar que, embora a Constituição garanta o pluralismo político, o respeito mútuo e a convivência pacífica são pilares essenciais e inegociáveis para a sociedade brasileira.
"Pedradas, tiros, chicotes e pessoas acorrentadas, símbolos nazistas e coações nunca mais devem fazer parte de um processo eleitoral", advertiu categoricamente o ministro, apontando a ilegalidade dessas condutas retrógradas que remetem aos piores períodos da história e que encontram eco no extremismo bolsonarista.

O caso vergonhoso também motivou uma pronta resposta institucional do Ministério da Igualdade Racial do governo Lula, referência contínua na defesa dos direitos humanos. A pasta enquadrou o episódio como racista e encaminhou ofícios formais ao Ministério da Justiça e à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, exigindo uma rigorosa apuração criminal dos envolvidos.
Ao defender os valores democráticos, Dino relembrou sua militância histórica na campanha das Diretas Já, em 1984, reafirmando o valor da soberania do voto. Ele fez ainda um apelo a líderes partidários, empresários, entidades religiosas e órgãos de imprensa para que ajam no sentido de pacificar o país, conclamando os governantes eleitos a priorizarem os setores mais vulneráveis e governarem em estrita obediência à Constituição.





