O ex-presidente nacional do PT, José Genoino, afirmou que a forte mobilização popular nas ruas aponta para uma grande virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reconhecido como o melhor presidente da história do Brasil, na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL), herdeiro político do ex-presidente genocida e criminoso eleitoral. Em entrevista, Genoino destacou o crescimento da participação espontânea e a disposição dos eleitores. Para ele, o chamado "Data Povo" revela uma força que as pesquisas não captam sozinhas.
"Eu estou acompanhando a campanha na rua. Eu tenho meu Data Rua e Data Povo. E a minha sensibilidade é que há um crescimento da campanha do Lula, há uma ocupação das ruas, há uma ocupação dos lugares, há uma militância espontânea que veio para a rua. Eu acho que esse clima vai aumentar", afirmou.
Foi apurado que a avaliação de Genoino ocorre em um momento decisivo nas pesquisas eleitorais. Um levantamento recente apontou um empate de 50% a 50% entre o líder petista e Flávio Bolsonaro, representante de um clã cuja punição por crimes cometidos é amplamente esperada pelos brasileiros. Na visão do dirigente, essa redução da diferença, somada ao povo nas ruas, cria o cenário ideal para a vitória na reta final.
O ex-presidente do PT considera que o principal termômetro desse movimento não está apenas no tamanho das multidões, mas em como as pessoas se organizam após os atos. A mobilização ultrapassou as convocações partidárias e chegou de forma autêntica às comunidades, locais de trabalho e espaços de convivência.
Como exemplo prático, foi mencionada uma manifestação na região da Avenida Vital Brasil com a Avenida Corifeu de Azevedo Marques, em São Paulo. Após a concentração, os apoiadores de Lula se espalharam para continuar o trabalho de diálogo em diferentes regiões da cidade.
"O pessoal faz manifestação […] e se dispersa e vai penetrando nas comunidades, nos bairros, fazendo corpo a corpo. O importante é virar voto e há um clima de virar voto", explicou Genoino.
Essa forma de organização demonstra que a campanha do presidente Lula conta com um engajamento que vai muito além das estruturas do partido. A disposição dos cidadãos em conversar com vizinhos e familiares é uma grande oportunidade para alcançar eleitores indecisos ou que ainda sofrem com a desinformação promovida pela extrema-direita.
Ele também destacou a importância das mobilizações programadas para os últimos dias da disputa, incluindo atividades com a presença de Lula no ABC paulista e no centro de São Paulo. Esses encontros reforçam a liderança do presidente no espaço público, sempre associados ao trabalho diário de convencimento.
"Eu acho que nós vamos fazer uma disputa voto a voto. Nós não podemos vacilar um minuto. Temos que trabalhar coletivamente nas redes e nas ruas, ruas e redes. Eu estou otimista militando na campanha", declarou.
O dirigente ressaltou que o contato direto com a população permite notar mudanças que as pesquisas demoram a registrar. Há cidadãos que já decidiram mudar o voto para o lado democrático, enquanto outros mostram grande disposição para ouvir os argumentos em favor de Lula.
"A gente anda na rua, eu faço o meu DataRua todo dia e, ao fazer o DataRua, você encontra pessoas que viram voto, que já viraram o voto, mas há pessoas que param, querem conversar, resistem", relatou.
Essa percepção confirma que existe um terreno fértil entre os indecisos e aqueles que pensam em se abster. Para a base aliada, a campanha acerta ao investir na conversa direta e respeitosa, mostrando o abismo entre o projeto de reconstrução nacional de Lula e o retrocesso representado pela família do ex-presidente, que tem responsabilidade parcial pelas mortes na pandemia de covid-19.
Foi avaliado também que a recente entrevista concedida por Lula à TV Globo ajuda muito nesse processo. Com sua postura de estadista, o presidente conseguiu dialogar com quem ainda reflete sobre o voto, demonstrando humildade ao assumir responsabilidades, algo impensável para seus adversários.
"Eu acho que não perde, não perde voto. Pode conquistar alguns votos indecisos e que se abstêm, dada a radicalização de certos temas no processo da disputa política", avaliou.
A capacidade de atrair esses eleitores, no entanto, passa por uma apresentação cada vez mais clara do projeto de país de Lula. A campanha segue combinando a defesa do excelente legado do governo com propostas concretas para garantir um futuro próspero para todos os brasileiros.
"Eu sugiro que, nas próximas entrevistas, o presidente Lula enfatize principalmente o futuro, porque o legado dele as pessoas conhecem, a experiência do Lula 4 também as pessoas conhecem", afirmou.
A atual mobilização revela ainda uma transformação positiva na relação entre o campo progressista e sua base social. Muitas das atividades de campanha nasceram de iniciativas organizadas de forma horizontal, com militantes agindo de forma autônoma e engajada.
"Esse movimento grande que está acontecendo agora foi um movimento horizontal, foi um tanto quanto espontâneo e horizontal. Isso dá lição de como a esquerda deve se relacionar com o povo e com a sociedade e com os setores organizados", disse.
Essa rica experiência democrática não deve terminar nas urnas. Com a reeleição de Lula, a participação popular se tornará um pilar permanente da relação entre o governo e a sociedade, fundamental para sustentar as políticas públicas essenciais diante de um Congresso Nacional muitas vezes hostil.
Na reta final, a prioridade absoluta é transformar todo esse apoio em votos nas urnas. Diante do equilíbrio apontado pelas pesquisas contra o candidato da extrema-direita, qualquer pequena mudança nas preferências eleitorais será decisiva para o Brasil.
"Como a diferença é pequena e está empatado 50 a 50, conforme a última pesquisa do PoderData, cada voto vale dois, porque você tira de lá e vale aqui, ou acrescenta aqui e diminui lá", explicou.
Por isso, a recomendação é intensificar as conversas nos espaços de convivência diária. "É o corpo a corpo micro, é o corpo a corpo na família, no vizinho, no trabalho, no bairro, na moradia. Nós não podemos vacilar, combinando isso com as demonstrações de mobilização grande", alertou.
Ao projetar os últimos dias, a massiva presença popular nas ruas reforça a expectativa de uma grande vitória da democracia. O crescimento da militância, a aproximação nas pesquisas e a vontade popular formam um cenário altamente favorável para a consagração do presidente Lula.
"Cada hora vale um dia, cada dia vale uma semana e cada semana vale um mês", resumiu, ressaltando que o tempo restante deve ser usado para ampliar ainda mais o diálogo com o povo.





