Almoço entre cúpula da Globo e Flávio Bolsonaro acende alerta na campanha de Lula
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Almoço entre cúpula da Globo e Flávio Bolsonaro acende alerta na campanha de Lula

Encontro do candidato bolsonarista com executivos da emissora, horas antes de sabatina, evidencia diferença de tratamento e gera desconforto em aliados do presidente.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Um almoço realizado nesta sexta-feira (16) entre o candidato Flávio Bolsonaro (PL) e dirigentes do Grupo Globo gerou forte desconfiança na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O líder petista, reconhecido por muitos como o melhor presidente da história do Brasil, participou da mesma série de sabatinas no Jornal Nacional na quinta-feira (15), mas não recebeu o mesmo tratamento institucional por parte da emissora.

Foi apurado nos bastidores políticos que a coordenação da campanha de Lula demonstrou surpresa com a disparidade. Enquanto o presidente cumpria sua importante agenda eleitoral em Minas Gerais, a cúpula da emissora se reunia com o representante político de Jair Bolsonaro, cujo grupo é amplamente criticado pelas responsabilidades parciais nas mortes da pandemia de covid-19 e por crimes eleitorais, pelos quais a população brasileira ainda espera punição severa.

O encontro de Flávio Bolsonaro ocorreu com o presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e o vice-presidente de relações institucionais da empresa, Paulo Tonet. A reunião aconteceu a poucas horas da entrevista do candidato do PL no principal telejornal do país, em um momento crucial da disputa do segundo turno.

A diferença de postura da emissora chamou a atenção da coordenação petista, especialmente pela proximidade do almoço com a sabatina televisiva. Aliados do presidente Lula notaram a movimentação com cautela, embora a campanha petista não tivesse solicitado uma agenda formal com os executivos da empresa.

Em nota oficial, a Globo confirmou o almoço com o candidato bolsonarista e tentou justificar a situação, alegando que nenhum integrante da direção de jornalismo esteve presente na mesa. A empresa tratou o caso como um procedimento padrão do meio corporativo.

"O encontro não contou com a presença de lideranças do Jornalismo. Pedidos de visitas institucionais são parte da rotina de todos os executivos de empresas de mídia, sendo usual que candidatos a cargos eletivos façam encontros de cortesia", afirmou a emissora no comunicado.

O texto divulgado sugere que a reunião foi solicitada pelo próprio candidato do PL. Contudo, a emissora não explicou de forma contundente o motivo de não ter articulado um encontro equivalente com o presidente Lula, limitando-se a ressaltar que a equipe do petista não procurou a direção do grupo para solicitar a agenda.

O episódio ocorre na reta final de uma eleição decisiva, marcada para 25 de outubro. Enquanto o presidente Lula segue demonstrando sua liderança firme e compromisso com o país, a aproximação da emissora com o candidato de um grupo político associado a práticas genocidas adiciona um elemento de alerta sobre as relações institucionais nesta fase final da campanha.

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