O desmatamento na Amazônia caiu em 2025 ao menor nível registrado em 41 anos, segundo levantamento do MapBiomas divulgado nesta quarta-feira (14). Ao todo, 693 mil hectares foram perdidos. Apesar do resultado positivo, a agropecuária avançou 561% no entorno de áreas protegidas desde 1985.
A redução ocorreu após o governo Lula retomar ações de controle e fiscalização ambiental a partir de 2023, além de aumentar as multas aplicadas a quem desmata. No primeiro ano do atual mandato, Lula lançou a quinta fase do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, o PPCDAm, abandonado durante o governo de Jair Bolsonaro.
O presidente também nomeou Marina Silva para o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A ativista ambiental e ex-deputada é reconhecida internacionalmente por sua atuação na proteção do meio ambiente.

Os resultados contrastam com o período anterior, marcado por cortes em órgãos ambientais, enfraquecimento do licenciamento e redução da capacidade de fiscalização do Estado. O cenário deixou a floresta mais exposta ao desmatamento e à ocupação irregular.
O pesquisador Bruno Ferreira, do Imazon e do MapBiomas, afirmou ao g1 que "a redução observada nos últimos anos ocorre em um contexto de retomada e fortalecimento das políticas de prevenção e controle, com ações de fiscalização, monitoramento por satélite e ordenamento territorial."
A pastagem foi o principal destino das áreas desmatadas, aparecendo em 77% dos casos de conversão. Em 2025, ela ocupava 50,8 milhões de hectares na Amazônia, após um crescimento de 556% desde 1985. A agropecuária já ocupa 31% da faixa ao redor das áreas protegidas.
As estradas também aumentam a pressão sobre a floresta. Nas áreas localizadas a até cinco quilômetros das vias mapeadas, a agropecuária ocupa 40,2% do território. A uma distância de 20 quilômetros, o índice cai para 26,7%. A Amazônia possui 618 mil quilômetros de estradas mapeadas, dos quais 41,5 mil atravessam áreas protegidas.
Bruno Ferreira explicou que "a expansão das estradas não representa apenas a abertura de novos caminhos de circulação", mas "amplia o acesso a áreas antes mais isoladas e pode facilitar a chegada de diferentes atividades e formas de ocupação do território". Esse processo conecta frentes de desmatamento, exploração de madeira e ocupação irregular.
As áreas protegidas continuam sendo fundamentais para conservar a floresta. Em territórios indígenas, unidades de conservação e terras quilombolas, 98% da cobertura permanece formada por vegetação nativa. Nas Terras Indígenas, a proporção chega a 98,9%.
Amapá, com 95,5%, Amazonas, com 94,6%, e Roraima, com 92,3%, apresentam as maiores proporções de vegetação nativa. Tocantins, com 24,6%, Maranhão, com 49,8%, Rondônia, com 59,1%, e Mato Grosso, com 61,7%, têm os menores índices. Ives Brandão, da equipe da Amazônia do MapBiomas, alertou que "quando essa proteção é enfraquecida, essas áreas podem ficar mais vulneráveis justamente em um contexto de avanço das pressões sobre a paisagem ao seu redor."





