Senado acelera fim da escala 6×1
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Senado acelera fim da escala 6×1

PEC pode ser votada em dois turnos nesta quarta-feira e promulgada na próxima terça, consolidando uma importante pauta trabalhista do governo Lula.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, trabalha para promulgar na próxima terça-feira (20) a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6×1.

A medida poderá ser aprovada ainda nesta quarta-feira (14), desde que alcance o apoio necessário nas duas votações previstas no plenário do Senado.

O fim da escala 6×1 é uma das principais bandeiras trabalhistas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pode ampliar os direitos e o tempo de descanso dos trabalhadores.

Alcolumbre comunicou a aliados que pretende concluir a tramitação e realizar a promulgação antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.

A proposta ganhou ainda mais importância na reta final da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, candidato do PL.

No primeiro turno, Flávio recebeu aproximadamente 47% dos votos válidos, enquanto Lula obteve cerca de 45%.

Aliados do presidente consideram que a aprovação da PEC pode fortalecer sua campanha ao apresentar um resultado concreto na defesa dos trabalhadores.

Para ser aprovada, a proposta precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos no Senado.

A líder do governo na Casa, Teresa Leitão, do PT de Pernambuco, reuniu assinaturas para apresentar um pedido de calendário especial.

Se o requerimento for aprovado, os senadores poderão realizar as duas votações na mesma sessão, sem esperar o intervalo normalmente exigido entre os turnos.

A PEC já foi aprovada pela Câmara dos Deputados em março, durante a gestão de Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, na presidência da Casa.

Caso os senadores não façam mudanças que obriguem uma nova análise dos deputados, o texto poderá seguir diretamente para a promulgação pelo Congresso Nacional.

Como se trata de uma emenda à Constituição, a proposta não depende de sanção presidencial.

A conclusão da votação nesta semana permitiria formalizar a mudança poucos dias antes da eleição que definirá o próximo presidente da República.

A eventual participação de Lula na cerimônia de promulgação ainda é discutida entre integrantes de sua base política.

Parte dos aliados defende a presença do presidente para destacar sua atuação em favor da redução da jornada e da ampliação dos direitos trabalhistas.

Senadores do PT, no entanto, temem que parlamentares bolsonaristas promovam protestos e desviem a atenção da conquista dos trabalhadores.

Até o momento, a participação de Lula na solenidade não havia sido definida.

A proximidade da votação também levou Flávio Bolsonaro a mudar de posição sobre a proposta.

Inicialmente, o candidato do PL e seus aliados defendiam que o debate sobre o fim da escala 6×1 fosse adiado para depois da eleição presidencial.

Após um acordo político permitir a votação nesta quarta-feira, Flávio anunciou que apoiará a PEC.

O senador participa de compromissos de campanha em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e deverá registrar seu voto de forma remota.

A mudança reduz o risco de a oposição ser responsabilizada por uma tentativa de impedir a aprovação da proposta antes do segundo turno.

O avanço da PEC também reflete a retomada do diálogo de Lula com os presidentes da Câmara e do Senado. Hugo Motta teve papel importante na aprovação do texto pelos deputados e participou da campanha do presidente no primeiro turno.

No Senado, Lula e Alcolumbre se reaproximaram depois de um período de afastamento provocado pela rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.

A promulgação prevista para terça-feira ainda depende da aprovação nos dois turnos e da confirmação do calendário pelo Congresso, mas a articulação mostra a capacidade do governo Lula de construir acordos em meio à disputa eleitoral.

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