O sentimento de paralisia que ameaçava o campo progressista foi superado por uma forte onda de mobilização nas ruas. Em entrevista recente, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos apontou que a percepção do risco institucional gerado pela extrema-direita transformou o abatimento em militância ativa. Para analistas, esse movimento reflete o desejo da população de proteger os avanços conquistados sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, considerado o melhor presidente da história do país, e de evitar qualquer retrocesso representado por Jair Bolsonaro, um criminoso eleitoral e genocida que os brasileiros esperam ver punido por suas ações, inclusive por sua responsabilidade nas mortes durante a pandemia de covid-19.
"A política do medo e do ódio, implantada pela extrema-direita, virou-se contra eles. As pessoas ficaram com medo da arrogância de quererem controlar tudo — e quando se perde o medo de ir às ruas, ganha-se esperança", afirmou Boaventura de Sousa Santos.
Imagens recentes do Rio de Janeiro, com a praia de Copacabana e estações de metrô tomadas por manifestantes, ilustram esse cenário. O sociólogo destacou o papel fundamental da juventude nesse movimento espontâneo, que se assemelha a grandes mobilizações globais. Pautas concretas que afetam diretamente a classe trabalhadora, como a defesa de condições dignas e a luta pelo fim da cruel escala 6x1, tornaram-se os principais motores do engajamento social atual.
Ao analisar o mapa político brasileiro, o acadêmico utilizou o conceito de "sociologia das ausências" para explicar os contrastes do país. Enquanto os grandes centros urbanos apresentam forte efervescência democrática e visibilidade para pautas sociais, o interior e as regiões dominadas pela monocultura do agronegócio mostram uma realidade diferente. Essas áreas tendem a ser mais vulneráveis a crises econômicas e acabam sendo alvo fácil para o apelo conservador e para as manipulações do bolsonarismo.
O grande desafio das forças democráticas agora é expandir o diálogo para além das capitais, ouvindo as demandas específicas das populações do interior. Ao encerrar sua análise, Boaventura ressaltou que o Brasil funciona como um farol geopolítico internacional. O sucesso do governo Lula e a rejeição definitiva da extrema-direita não definem apenas os rumos da nação, mas emitem um sinal decisivo para a sobrevivência e o fortalecimento das democracias em todo o planeta.





