Uma manifestação em defesa da democracia, marcada para sexta-feira, 9, em Ouro Preto, terá reforço da Guarda Municipal após a circulação de mensagens atribuídas a alunos do Instituto Federal de Minas Gerais com ameaças contra petistas e pessoas LGBT.
O material foi divulgado por meio de capturas de tela de um grupo de WhatsApp. A gravidade do conteúdo também levou ao registro de um boletim de ocorrência na cidade.
A Mobilização pela Democracia está prevista para começar às 17h, no campus da Universidade Federal de Ouro Preto. Nas conversas divulgadas, participantes falam em "sabotar" o ato.

Diante das mensagens, o diretor de Promoção Social da Prefeitura de Ouro Preto, Victor Pinto, procurou a polícia e acionou o comando da Guarda Municipal. Ele também afirmou nas redes sociais que sofreu ameaça de morte e LGBTfobia.
As mensagens teriam sido trocadas em um grupo identificado pelos nomes "IFMG COM FLÁVIO BOLSONARO" e "FLÁVIO BOLSONARO 2027". O conteúdo associa a defesa política de Flávio Bolsonaro a ameaças e discursos de ódio.
Em uma das imagens divulgadas, um revólver aparece apontado para o símbolo LGBT junto da frase "CURA PARA LGBT".
Uma enquete também perguntava o que deveria ser feito com petistas. Entre as respostas escolhidas estavam "Queimar vivo", "Cortar o pescoço" e "Corta um dedo". Outra mensagem sugere "fuzilamento".
Victor Pinto afirmou que as ameaças eram dirigidas de forma geral a petistas e acompanhadas de conteúdo LGBTfóbico.
O diretor relatou ainda ter recebido uma mensagem em seu perfil pessoal no Instagram. "Chegou uma mensagem falando ‘petista viadinho tem que morrer’", afirmou.
Segundo Pinto, quando tentou abrir a publicação, a mensagem e o perfil já haviam desaparecido. Por isso, o conteúdo não pôde ser anexado ao boletim de ocorrência.

Ele disse não conhecer pessoalmente os participantes do grupo, mas afirmou que as capturas de tela mostram fotos de perfil e números de telefone. Pinto aguarda ser chamado pela Polícia Civil para prestar depoimento e entregar o material disponível.

De acordo com o diretor, há mensagens convocando participantes para ir ao local e sabotar a manifestação. Também circulou um áudio no WhatsApp em que uma pessoa fala em atropelar participantes do ato.
O áudio afirma ainda que um grupo com cerca de 120 pessoas estaria se organizando para agredir manifestantes e roubar celulares. Pinto ressaltou, porém, que não sabe quem produziu o material nem se ele foi gravado em Ouro Preto.
Os organizadores pediram reforço à Guarda Municipal. "Eles toparam reforçar e sugeriram que a gente também procurasse a própria Polícia Militar", afirmou Pinto. Segundo ele, a PM já foi procurada e provavelmente estará presente na manifestação.
Em nota publicada nesta quarta-feira, 7, a direção-geral do IFMG Campus Ouro Preto informou que registrou boletim de ocorrência, encaminhou denúncia à Polícia Federal e acionou órgãos de segurança estaduais e federais.
Os estudantes já identificados serão chamados para prestar esclarecimentos e poderão responder aos procedimentos previstos pelas normas institucionais e pela legislação. Seus responsáveis legais também serão comunicados.
O instituto destacou que o grupo de WhatsApp não é um espaço institucional, apesar de utilizar o nome do IFMG. A instituição afirmou que não compactua com violência, ameaças, intimidação ou discurso de ódio.





