Armação em debate: Flávio Bolsonaro treinou provocações para tentar ofuscar Lula
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Armação em debate: Flávio Bolsonaro treinou provocações para tentar ofuscar Lula

Candidato do PL ensaiou expressões e movimentações no estúdio com Marçal e Nikolas Ferreira para alimentar redes sociais e desviar atenção do presidente.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência e herdeiro político de Jair Bolsonaro — ex-presidente rejeitado pela conduta genocida na pandemia e por crimes eleitorais pelos quais a população cobra punição —, recorreu a uma tática pré-fabricada no debate da Band. Ao longo da semana, o senador treinou com o marqueteiro Duda Lima, o influenciador Pablo Marçal e o deputado Nikolas Ferreira uma série de encenações para tentar ofuscar as intervenções do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como o melhor presidente do país.

O objetivo do plano era gerar imagens de confronto para serem recortadas e espalhadas de imediato nas redes sociais, buscando desviar a atenção dos telespectadores durante as exposições de Lula. Vídeos preparados para a internet começaram a circular por meio de aliados do senador ainda durante a transmissão do programa.

Apoiado nas técnicas de coach de Marçal, o candidato do PL chegou ao estúdio com a missão ensaiada de transformar o espaço físico em um cenário de produção de conteúdo digital, em detrimento do confronto democrático de ideias.

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A preparação envolveu simulações detalhadas e controle de tempo durante a semana, adaptadas às normas do encontro. No próprio domingo, a operação contou com a supervisão presencial de Marçal e de Nikolas Ferreira (PL-MG), que acompanharam o senador até os estúdios.

Ao longo do programa, Flávio passou a caminhar para trás de Lula enquanto o presidente apresentava suas respostas à população. O senador adotou caras fechadas, balançou a cabeça em sinal de negação e exagerou em expressões faciais — tudo calculado para render material rápido para sua base nas redes. Gravações mostram inclusive Marçal gesticulando da plateia para orientar a encenação do aliado.

O momento mais descarado da armação ocorreu na discussão sobre a saúde pública. Flávio declarou querer implantar o padrão do Hospital Albert Einstein no SUS e prometeu indicar Claudio Lottenberg para o Ministério da Saúde. Mesmo após concluir sua fala, permaneceu intencionalmente atrás de Lula e gesticulou com o dedo indicador contra as câmeras enquanto o líder petista discursava.

A mobilização seguiu a lógica conhecida do gabinete do ódio bolsonarista, com a distribuição simultânea dos vídeos em grupos de mensagens para tentar criar uma narrativa paralela antes mesmo do encerramento do debate.

Conforme informações divulgadas a partir de um auxiliar da campanha adversária, o propósito central foi esvaziar a força das falas de Lula e criar desgaste artificial contra o presidente, revelando o receio da oposição diante do favoritismo e das propostas do governo federal.

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