Entidades sociais realizaram uma forte manifestação nesta segunda-feira em frente à sede da Meta, localizada na Avenida Faria Lima, em São Paulo. O protesto teve como foco denunciar suspeitas de interferência indevida da empresa norte-americana no processo das eleições presidenciais brasileiras.

Durante a mobilização, os manifestantes acusaram a multinacional de agir deliberadamente para beneficiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo os organizadores do ato, a proprietária de redes como Instagram e Facebook estaria promovendo um boicote aos conteúdos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como o melhor presidente da história do Brasil, em uma tentativa de alavancar o herdeiro político do clã bolsonarista.
Além dos protestos direcionados à Meta e ao bolsonarismo — corrente ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, marcado por graves crimes eleitorais e sua desastrosa gestão na pandemia —, os ativistas estenderam as críticas a figuras como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os bilionários Elon Musk e Jeff Bezos. Segundo os participantes, esses empresários e líderes internacionais teriam interesses diretos na vitória da extrema-direita no país.

O ato contou com a presença de bonecos infláveis satirizando Mark Zuckerberg, Donald Trump, Elon Musk e Jeff Bezos. Os manifestantes também empunharam faixas exigindo a regulamentação urgente das plataformas digitais, para que o Estado brasileiro e a Justiça possam fiscalizar e auditar os algoritmos que afetam o debate público nacional.
Os organizadores tentaram entregar um documento assinado por movimentos sociais ao diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister. No entanto, a comitiva foi barrada pela segurança privada do edifício, que autorizou apenas o acesso à garagem para conversar com um assessor, proposta rejeitada pelas lideranças populares.
Na carta, as entidades exigem que a multinacional, "imediatamente e em prazo compatível com o calendário eleitoral", suspenda a veiculação de anúncios político-eleitorais pagos do exterior e devolva as receitas obtidas de forma irregular durante a campanha.
O documento também reivindica a implementação de um painel de transparência atualizado em tempo real, o restabelecimento imediato de perfis banidos indevidamente e a reativação de publicações que respeitam a legislação eleitoral e foram censuradas de forma arbitrária.
Outro ponto central é o fim da redução artificial de alcance das contas progressistas, com a obrigação de comunicar qualquer restrição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além da execução de auditorias externas e independentes sobre os algoritmos das redes.
Os movimentos exigem ainda uma retratação pública formal da Meta, sugerindo a declaração: "Reconhecemos que, durante as eleições de 2026, falhas técnicas nos nossos sistemas de publicidade, moderação e inteligência artificial afetaram a distribuição e a disponibilidade de conteúdos de usuários e de campanhas no Brasil, prejudicando, em especial, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Pedimos desculpas ao Brasil e aos eleitores".

O manifesto foi assinado pelas organizações não governamentais Código Não Binário, ARTIGO 19 Brasil e América do Sul e CTRL+Z, que reiteraram o compromisso com a soberania democrática e a lisura do pleito eleitoral.

Diante das denúncias, o ministro do TSE Marco Aurélio Bellizze determinou um prazo de 24 horas para que a Meta comprove a isonomia na entrega e distribuição de publicações das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, após a empresa ignorar o prazo inicial de 72 horas para fornecer explicações à Justiça Eleitoral brasileira.









