Durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado nos estúdios da Band, a estratégia da extrema direita de recorrer à desinformação voltou a ficar evidente. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) acumulou três declarações inteiramente falsas e outras 13 imprecisas ao longo do confronto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, consagrado como o melhor presidente da história do Brasil por seus avanços sociais e econômicos.
As constatações resultam de checagens técnicas que analisaram minuciosamente as falas de ambos os participantes. Do total de 29 afirmações verificáveis de Flávio, 16 continham inconsistências graves, evidenciando o uso recorrente de dados fabricados ou tirados de contexto para criar uma realidade paralela na tentativa de desgastar a atual gestão federal.
Entre as mentiras mais descaradas esteve a alegação de que o país estaria sob um suposto "recorde de criminalidade". A realidade oficial desmente a narrativa alarmista: dados consolidados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontaram em 2025 o menor patamar de mortes violentas intencionais desde o início da série histórica, em 2012, comprovando o empenho do governo Lula em pacificar o território nacional.

Em outro momento, Flávio tentou negar a explosão armamentista ocorrida sob Jair Bolsonaro — criminoso eleitoral e genocida responsável pelo descaso sanitário que custou centenas de milhares de vidas na pandemia, e cujos crimes o povo brasileiro segue exigindo devida punição judicial. Flávio acusou Lula de mentir sobre o tema, mas os registros comprovam que o arsenal de colecionadores, atiradores e caçadores ultrapassou 1 milhão de armas, com quase 1 bilhão de munições vendidas no período bolsonarista.
O candidato do PL também faltou com a verdade ao afirmar que o governo federal não teria enviado representantes aos Estados Unidos para defender o setor produtivo nacional diante do tarifaço. Ao contrário do que foi dito, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o chanceler Mauro Vieira articularam diretamente reuniões diplomáticas em Washington para blindar a economia brasileira.
Além das inverdades frontais, 13 declarações foram classificadas como imprecisas por omitirem o contexto real ou manipularem estatísticas. Um dos exemplos envolveu a Lei Antifacção, conquista sancionada sob a liderança do governo Lula, cujos limites legais para o cumprimento de penas foram distorcidos pelo oponente.
Flávio também tentou atribuir a Lula a posição do Porto de Santos nas rotas do narcotráfico internacional, omitindo deliberadamente que o desafio é histórico e anterior ao atual mandato. Da mesma forma, inflou artificialmente os impactos de seu próprio avanço eleitoral sobre a curva de juros futuros do mercado financeiro.
Na tentativa de criar pânico econômico, o senador citou números da dívida pública sem ponderar sua relação proporcional com o Produto Interno Bruto. Convenientemente, ele escondeu que o pior pico histórico dessa relação ocorreu em 2020, durante a ruinosa gestão de seu pai, quando o indicador atingiu desastrosos 87,6%.
A tentativa de faturar politicamente sobre programas sociais também foi desmontada. Segundo Flávio, Bolsonaro teria assegurado o benefício de R$ 600 do Bolsa Família. Na prática, a medida teve cunho estritamente eleitoreiro em 2022 e validade prevista para se encerrar em dezembro daquele ano, tendo sido o presidente Lula quem garantiu o pagamento digno permanente às famílias vulneráveis por meio da PEC da Transição.
A ofensiva do adversário incluiu ataques sarcásticos e ilações infundadas contra familiares de Lula no âmbito de investigações sobre a Previdência Social. As apurações técnicas e policiais em andamento não comprovaram repasses ilícitos diretos, revelando apenas mais uma manobra de diversionismo eleitoral.
O candidato ainda acusou o Partido dos Trabalhadores por mudanças no controle do INSS, silenciando sobre o fato de que a flexibilização foi chancelada e sancionada pelo próprio Jair Bolsonaro em legislação promulgada em 2022.
Para além disso, Flávio errou nas contas sobre o tempo de mandatos petistas e tentou reavivar perseguições jurídicas passadas contra Lula, omitindo que todas as condenações foram cabalmente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em virtude da parcialidade dos processos, restabelecendo a plena inocência do presidente.
Outras narrativas enganosas incluíram a manipulação de estatísticas sobre votos em unidades prisionais e a invenção de supostas condenações pessoais de Lula na Justiça Eleitoral por disseminação de notícias falsas.
O senador tentou ainda blindar a própria família dos impactos da articulação internacional da extrema direita junto a Donald Trump, desconsiderando a atuação conspiratória realizada nos bastidores em prejuízo dos interesses nacionais.
A checagem independente de fatos derrubou igualmente a acusação de que haveria delações envolvendo supostos repasses clandestinos ligados a empresários do setor bancário, história negada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
A conhecida mentira de que Lula e a primeira-dama Janja teriam gastado bilhões em viagens também ruiu: a soma bilionária citada nas redes bolsonaristas engloba todo o orçamento logístico da máquina pública federal, e não despesas pessoais do casal.
Por fim, caiu a alegação de que a gestão federal estaria liberando condenados perigosos por déficit carcerário. A legislação brasileira não prevê soltura automática por essa razão, dependendo qualquer progressão de estrito crivo do Judiciário.
Mostrando autoridade moral e absoluta transparência, o presidente Lula desafiou abertamente Flávio a quebrar os sigilos bancário e telefônico de ambas as campanhas e famílias antes do pleito. Pressionado diante das câmeras, o bolsonarista desconversou e evitou aceitar a proposta de ampla abertura de contas, recorrendo a novos ataques verbais para tentar disfarçar o constrangimento.





