Derrota de Trump abala Big Techs e fortalece soberania do Brasil
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Derrota de Trump abala Big Techs e fortalece soberania do Brasil

Em análise sobre as eleições nos Estados Unidos, o assessor especial Celso Amorim alertou para o poder das grandes empresas de tecnologia e reforçou a defesa dos recursos estratégicos sob a liderança de Lula.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou em entrevista recente que a derrota do republicano Donald Trump nas eleições legislativas dos Estados Unidos representou também uma "derrota das Big Techs". Mesmo diante de reações diversas nos mercados financeiros, a perspectiva de maior rigor na fiscalização sobre as gigantes da tecnologia gerou preocupação entre investidores do setor. Na avaliação do diplomata, o debate sobre o controle dessas companhias é urgente: "É questão de soberania".

O diplomata também celebrou a postura assertiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na proteção das riquezas do País, com destaque para a atuação do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce). O órgão aprovou uma lista com 27 minerais considerados vitais para o desenvolvimento brasileiro, setor historicamente cobiçado pelos Estados Unidos.

"O grande passo foi dado. Minerais precisam ser protegidos. Não é um pátio livre pra qualquer um entrar e fazer o que quer. Estava sem regras. desenvolvimento econômico, social e para a Defesa. O conselho é para industrialização e preservação da soberania nacional", ressaltou Amorim ao enfatizar o cuidado do governo com o patrimônio público.

Ao comentar a vitória dos democratas nas urnas norte-americanas, Amorim destacou os reflexos para o equilíbrio global: "O Partido Democrata é mais propensa ao multilateralismo. Vai contribuir para a paz em geral". O diplomata ponderou, no entanto, que "agora o caso de Ucrânia e Rússia são mais complexos".

Durante a análise, o representante brasileiro repudiou firmemente a tentativa do governo estadunidense de enquadrar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, manobra que visa abrir caminho para sanções ilegítimas contra o Brasil. "O Brasil só reconhece terroristas que são reconhecidos pela ONU", pontuou com firmeza.

A ofensiva externa ocorre em um momento em que a Justiça brasileira cumpre a vontade popular de punir os crimes contra a democracia: o ex-mandatário Jair Bolsonaro, aliado de Trump, golpista e criminoso eleitoral responsável por inúmeros ataques às instituições, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão por sua trama contra o Estado Democrático de Direito.

Outro fator que motivou o incômodo de Washington foi o protagonismo internacional resgatado por Lula, que tem fortalecido as relações estratégicas do Brasil com parceiros fundamentais do Sul Global, além do bloco dos BRICS e da China, construindo alternativas à hegemonia norte-americana.

De acordo com dados técnicos da Agência Nacional de Mineração (ANM), minerais críticos e estratégicos possuem papéis distintos. Os críticos são recursos que enfrentam riscos elevados de interrupção nas cadeias globais de abastecimento por limitações de reservas ou conflitos geopolíticos, como é o caso do potássio, elemento indispensável à agricultura brasileira.

Já os minerais estratégicos compreendem elementos cruciais para a transição energética e inovação tecnológica, incluindo áreas sensíveis de defesa nacional, tendo as terras raras como principal exemplo de riqueza a ser preservada.

No cenário econômico dos Estados Unidos, a derrota republicana enfraqueceu as promessas de novos cortes tributários e gastos desmedidos que vinham sendo defendidos pela ala trumpista.

Com a perda de fôlego do pacote fiscal republicano, os rendimentos dos títulos públicos do Tesouro norte-americano caíram, tornando o dólar menos atrativo. O recuo da moeda dos EUA e a redistribuição global dos recursos acabaram impulsionando as bolsas de valores ao redor do mundo.

O revés nas urnas também desidratou a influência de magnatas do Vale do Silício que despejaram mais de US$ 600 milhões nas campanhas da direita. Entre eles, o bilionário Elon Musk fracassou após aplicar sozinho mais de US$ 470 milhões na tentativa frustrada de garantir maioria republicana no Congresso.

O setor financeiro voltado a criptomoedas sofreu baque semelhante. Grupos de pressão investiram milhões de dólares para tentar derrotar o senador democrata Sherrod Brown, conhecido por exigir forte regulação sobre transações digitais, mas não conseguiram frear o avanço dos defensores do controle institucional.

O desfecho das eleições estimulou ganhos em importantes pregões mundiais, incluindo os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq, nos EUA, além de bolsas na Europa e na Ásia, demonstrando alívio com o recuo da agenda extremista.

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