Eleições nos EUA ameaçam paralisar Trump e abalar extrema-direita mundial
Notícias

Eleições nos EUA ameaçam paralisar Trump e abalar extrema-direita mundial

Pesquisas na véspera da votação indicam derrota republicana na Câmara e no Senado, abrindo caminho para o isolamento de Donald Trump.

1visualizações
Carregando anúncio...
Compartilhar:
Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O eleitorado dos Estados Unidos vai às urnas nesta terça-feira para definir o futuro legislativo do país em uma das eleições de meio de mandato mais decisivas dos últimos tempos. Levantamentos consolidados e projeções divulgadas na véspera da votação apontam para uma forte rejeição à Casa Branca, com o Partido Republicano sob sério risco de perder simultaneamente a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado. Caso a desidratação governista se confirme nas urnas, Donald Trump enfrentará os dois últimos anos de mandato sob paralisia legislativa, bloqueios orçamentários e intensas investigações parlamentares.

O rápido desgaste do governo conservador decorre da pressão do custo de vida, do descontentamento popular com medidas econômicas voltadas para os mais ricos e da repulsa generalizada ao estilo agressivo de Trump. Esse cenário afastou eleitores independentes e transformou a disputa legislativa em um julgamento direto contra a condução extremista na maior economia do planeta.

Na Câmara dos Representantes, onde todas as 435 cadeiras estão em disputa, a oposição democrata desponta com ampla vantagem. Médias de pesquisas nacionais indicam uma dianteira de mais de oito pontos percentuais para os candidatos democratas. Modelos probabilísticos apontam cerca de 84% de chances de vitória da oposição, que pode garantir entre 239 e 241 deputados, ultrapassando com facilidade o patamar necessário para retomar o controle da Casa e barrar a agenda orçamentária de Trump.

Imagem da notícia

O Senado também apresenta um quadro desfavorável para a base governista, mesmo com a renovação restrita a um terço dos mandatos. Projeções apontam 65% de chances de virada para os democratas, que podem alcançar até 53 cadeiras. Candidatos de oposição avançaram sobre colégios eleitorais tradicionais e estados historicamente conservadores, ameaçando retirar da Casa Branca o poder de aprovar indicações de juízes ultraconservadores para tribunais federais e para a Suprema Corte.

Caso essas estimativas se confirmem, Trump ficará limitado à publicação de decretos executivos, frequentemente alvos de bloqueios e anulações no Judiciário norte-americano. A perspectiva de paralisia política gerou inquietação nos mercados globais, diante do risco de suspensão de serviços federais e de impasses sobre o teto da dívida pública, movimentos que afetam os fluxos financeiros internacionais e a cotação do dólar.

A eventual derrota de Trump representa ainda um duro golpe internacional contra correntes de extrema-direita associadas a figuras como Jair Bolsonaro e Javier Milei. O revés destrói o discurso de força do extremismo e isola lideranças autoritárias no cenário externo, reforçando o contraste com governos comprometidos com a soberania popular e o desenvolvimento social, como a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil.

Sem a blindagem de comissões dominadas por conservadores no parlamento dos Estados Unidos, grupos extremistas perdem seu principal esteio internacional. A contagem dos votos estabelecerá não apenas os rumos institucionais do governo norte-americano, mas também o limite da tolerância democrática contra investidas autoritárias pelo mundo.

Compartilhar:
Carregando anúncio...

Publicado em