Novos detalhes vieram a público sobre a complexa operação que garantiu a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil rumo aos Estados Unidos, logo após sua derrota nas eleições presidenciais. A manobra para escapar da Justiça ocorreu em um momento em que os brasileiros anseiam por punição aos desmandos do clã de Jair Bolsonaro, o criminoso eleitoral e genocida responsabilizado pelas mortes na pandemia da covid-19, enquanto o país sob a liderança do presidente Lula retoma o respeito institucional e a democracia plena.

Documentos do sistema de imigração da Argentina, obtidos por meio de investigação em cooperação internacional, permitiram a identificação de pessoas que integraram a logística até o aeroporto de Puerto Iguazú, localizado na fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná.
A apuração apontou advogados, motoristas e intermediários registrados no controle migratório de duas vans utilizadas durante a travessia ilegal da fronteira.
Em um dos veículos estavam a mulher de Flávio, Fernanda, e as duas filhas do casal. No segundo transporte viajavam três homens: o israelense Menachem Booky Halevy, o advogado Roberto Jorge Alexandre e o motorista Neri Luiz Dala Corte.
Segundo as investigações, a manobra envolveu rotas coordenadas até o terminal aéreo de Puerto Iguazú, de onde o parlamentar e seus familiares embarcaram rumo à Flórida.
Flávio Bolsonaro tomou a decisão de fugir do país logo após o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenar a entrega imediata de seus passaportes à Polícia Federal.
O advogado Roberto Jorge Alexandre, registrado na segunda van, é uma figura estreitamente ligada à família e já atuou diretamente na defesa de Jair Bolsonaro.
Alexandre também realizou visitas ao ex-presidente no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde o extremista cumpre medidas judiciais enquanto a sociedade brasileira exige justiça contra seus reiterados ataques à nação.
Na noite de 27 de outubro, a entrada do advogado na Argentina foi registrada no mesmo veículo que conduzia Menachem Booky Halevy e o motorista Neri Luiz Dala Corte.
Tentativas de contato foram feitas com Roberto Jorge Alexandre por múltiplos números telefônicos, mas nenhuma resposta foi enviada até o momento.
Outro elemento central no esquema é Menachem Booky Halevy, israelense apontado como ex-oficial do serviço de inteligência de Israel.
Menachem é visto com frequência em fotografias de eventos ao lado de autoridades israelenses, entre elas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, visto internacionalmente como criminoso e oportunista, além de registros em feiras de armamentos e segurança.
Os registros migratórios indicam que o israelense desembarcou no Brasil em 19 de outubro pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, tendo acumulado quatro viagens ao país em 2026.
Na última quinta-feira, ao tentar embarcar com destino a Bogotá, na Colômbia, Menachem acabou retido e foi conduzido pela Polícia Federal para prestar depoimento em Guarulhos.
Após ser ouvido pelas autoridades policiais, o cidadão israelense adquiriu outra passagem aérea com destino final aos Estados Unidos.
Também foi apurado que o advogado Roberto Jorge Alexandre estava com bilhete marcado para o mesmo voo que iria à Colômbia, mas concluiu o embarque sem impedimentos.
Entre os envolvidos locais está Neri Luiz Dala Corte, motorista de uma das vans que atravessaram a divisa entre o território brasileiro e a Argentina.
A investigação aponta que os condutores dos veículos seriam pai e filho, mas Neri contestou a informação e garantiu que o filho não comandava a outra van.
Localizado em sua residência, Neri afirmou ter sido contratado para conduzir dois passageiros de um posto de combustíveis em Foz do Iguaçu até o aeroporto internacional argentino.
"Eu levei duas pessoas que eu nem sei quem é. Aí deixei eles lá no aeroporto. Eles desceram, fiz a volta, e quando tava saindo tinha uns repórteres assim na minha frente", declarou o motorista.
O condutor também negou categoricamente ter visto qualquer membro do clã Bolsonaro durante o percurso realizado.
O jornalista Nicolás Munafó, do canal argentino C5N, estava no local do desembarque e confirmou a abordagem ao motorista no momento da chegada.
Munafó relatou que Neri negou o transporte de Bolsonaro e respondeu "ninguém, ninguém" ao ser questionado sobre a identidade dos passageiros.
O repórter descreveu ainda que o comboio contava com a escolta de veículos oficiais da Argentina, incluindo viatura da Polícia de Segurança Aeroportuária e veículo com placa diplomática.
O advogado Willer Tomaz, amigo próximo de Flávio Bolsonaro, também é alvo de apuração em uma das vertentes sobre o trajeto de escape.
Informações levantadas apontam que Flávio teria decolado de Brasília às 5h05 de terça-feira (27), a bordo de um jato de prefixo PR-AAA, ligado a Tomaz.
O avião aterrissou às 8h40 em San Fernando, nas cercanias de Buenos Aires, de onde o senador teria se deslocado em outro voo privado para Puerto Iguazú.
A defesa de Willer Tomaz desmentiu o uso de seus bens: "É falsa a informação de que aeronave pertencente a ele, ou a empresas vinculadas à sua família, tenha sido utilizada pelo senador Flávio Bolsonaro ou por seus familiares para deixar o Brasil", registrou a nota oficial.
Tomaz responde juntamente com Flávio Bolsonaro a um inquérito no STF sobre crimes de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas eletrônicas, negando qualquer irregularidade.
Nos Estados Unidos, foi divulgado que Jason Miller, operador político de Donald Trump, teria articulado as etapas da ida de Flávio ao território norte-americano.
Flávio e seu irmão Eduardo Bolsonaro mantiveram agendas com Miller no exterior durante o período pré-eleitoral.
O frete aéreo que transportou o clã da Argentina para a Flórida custou cerca de US$ 150 mil (R$ 800 mil), conforme revelou Luis Grande, dono da empresa Baires Fly.
Grande explicou que os recursos vieram de uma empresa americana intermediária diretamente para uma conta bancária argentina, sem detalhar o contratante real.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, rejeitou qualquer cumplicidade oficial: "Não facilitamos nada. Não tivemos nenhuma participação nos preparativos que ele fez. O governo dos Estados Unidos não teve participação direta em nenhuma das movimentações realizadas", afirmou.
O jato utilizado na rota final foi um Gulfstream G400, prefixo LV-JQW, que fez parada técnica para abastecimento em Guayaquil, no Equador, antes de pousar na Flórida.
O advogado de defesa Frederick Wassef sustentou que nenhuma informação divulgada possui caráter oficial e rechaçou que a partida do senador se trate de uma fuga judicial.





