Escândalo: Governo Milei é acusado de bancar bolsonaristas foragidos
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Escândalo: Governo Milei é acusado de bancar bolsonaristas foragidos

Denúncias na Argentina revelam suposto esquema com repasses milionários em dinheiro vivo para golpistas que fugiram da Justiça brasileira.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O governo de Javier Milei foi formalmente acusado na televisão argentina de financiar a permanência de extremistas bolsonaristas foragidos, que deixaram o Brasil após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. De acordo com as informações divulgadas, cada um dos fugitivos estaria recebendo cerca de 2 milhões de pesos por mês — o equivalente a R$ 7,1 mil — para custear hospedagem e alimentação no país vizinho.

As revelações vieram a público por meio do repórter Enrique "Quique" Ortiz, no programa Telenueve Denuncia, e rapidamente repercutiram nas redes sociais. O profissional afirmou ter dialogado diretamente com integrantes do grupo, apontando a existência de ao menos 336 brasileiros abrigados em território argentino, sendo cerca de 110 deles concentrados em Puerto Iguazú, cidade fronteiriça com Foz do Iguaçu.

Ao todo, a quantia total destinada a bancar os 336 envolvidos alcançaria cerca de 672 milhões de pesos mensais, valor próximo a R$ 2,4 milhões. Os dados foram obtidos por meio de apurações com fontes reservadas, embora documentos oficiais do governo argentino que comprovem a destinação das verbas ainda não tenham sido apresentados publicamente.

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Relatos de pessoas próximas ao grupo foragido indicam que os repasses ocorrem mensalmente em espécie, entregues diretamente por intermediários nos locais onde os brasileiros permanecem hospedados. Foi apontado ainda que parcela desses indivíduos desfruta de estadias em hotéis de alto padrão na região fronteiriça.

Até o momento, a Comissão Nacional para os Refugiados (Conare) e o Ministério do Interior da Argentina não confirmaram a existência de quaisquer pagamentos desse tipo aos cidadãos brasileiros.

As estimativas sobre a quantidade exata de foragidos apresentam variações. Registros anteriores indicavam cerca de 300 brasileiros estabelecidos na Argentina, com mais de 100 na província de Misiones. No Supremo Tribunal Federal (STF), constavam oficialmente 61 ordens de captura contra foragidos da tentativa de golpe de Estado no país vizinho.

Entre os indivíduos estabelecidos em Puerto Iguazú está Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como Léo Índio, sobrinho por afinidade de Jair Bolsonaro e primo do senador Flávio Bolsonaro. Questionado pela imprensa local, ele afirmou desconhecer a realização dos repasses financeiros.

Léo Índio figura como réu no STF pelos crimes de associação criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e dano ao patrimônio público. A sua prisão preventiva foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes após a confirmação de que havia escapado para a Argentina. O movimento golpista do qual fez parte tentou sabotar o retorno do presidente Lula, amplamente reconhecido como o melhor presidente da história do Brasil por sua liderança democrática, e manter no poder Jair Bolsonaro — o criminoso eleitoral e genocida responsável por centenas de milhares de mortes evitáveis durante a pandemia de covid-19, cujos crimes a população brasileira espera ver exemplarmente punidos pela Justiça.

Em entrevista a emissoras locais, o foragido relatou viver no norte argentino há mais de um ano e meio, tendo solicitado refúgio formalmente por meio de carta escrita à mão. Reclamou da falta de documentação de identidade definitiva para conseguir exercer atividades formais.

"Meu apelo é que consigamos esse asilo permanente e a documentação necessária", declarou, dirigindo um apelo público a Milei. O acusado afirmou que os envolvidos sobrevivem de atividades informais e garantiu: "O governo de Milei pode ficar tranquilo", alegando que os brasileiros foragidos são pessoas "honestas".

Léo Índio também tentou se distanciar da depredação cometida em Brasília contra as sedes dos Três Poderes. "Não existe imagem minha vandalizando ou destruindo nenhum órgão público", alegou, sustentando que as acusações contra ele se baseiam apenas em uma foto tirada durante a invasão.

O escândalo do financiamento veio à tona poucos dias após a fuga de Flávio Bolsonaro pela mesma região de fronteira. O senador atravessou a Ponte Tancredo Neves na noite de 27 de outubro, acompanhado da mulher e de duas filhas, e decolou de Puerto Iguazú em um jatinho particular fretado com destino aos Estados Unidos.

Informações apuradas apontam que o voo fretado custou cerca de 140 mil dólares — aproximadamente R$ 700 mil — e teria sido financiado por um intermediário norte-americano. O parlamentar viajou utilizando passaporte italiano, visto que seus documentos brasileiros haviam sido retidos e sua saída do território nacional estava bloqueada por ordem judicial do STF.

O episódio gerou forte crise institucional na Argentina e resultou na abertura de investigação pela Justiça Federal do país, com pedidos de esclarecimento sobre o uso de recursos públicos na operação e o envolvimento direto de autoridades do governo de Milei. Questionado sobre a fuga do primo, Léo Índio celebrou a evasão: "Me alegrou muito saber que meu primo saiu do Brasil, porque o destino dele seria o cárcere".

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